Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 11 de janeiro de 2026
Dois terços dos 18 governadores sem possibilidade de reeleição neste ano já indicam a possibilidade de disputar uma cadeira no Senado em outubro. O total de 12 sinalizações supera em quatro vezes o número de chefes do Executivo estadual que foram às urnas pela Casa em 2018 (3), e é três vezes maior do que o mesmo grupo na eleição de 2022 (4).
Cientistas políticos citados em reportagem de O Globo apontam a garantia de foro privilegiado por oito anos, o fortalecimento institucional do Parlamento e a boa avaliação nos estados como possíveis causas desse crescente interesse pelo Legislativo.
Os governadores que desejarem disputar uma das 54 cadeiras abertas no Senado precisam renunciar até abril, seis meses antes do pleito. Enquanto parte dos chefes do Executivo estadual já se coloca como candidato, outros dizem que, apesar de considerarem a opção, uma decisão será tomada próximo ao prazo de desincompatibilização.
Fátima Bezerra (PT-RN) e João Azevêdo (PSB-PB) afirmam que as candidaturas ao Senado já estão costuradas politicamente e visam também a auxiliar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), é outro que confirma que disputará o Senado neste ano. Ele deve concorrer pela vaga atualmente ocupada pelo pai, Jader Barbalho, que deve se aposentar.
Outra parcela de governadores admite a possibilidade de disputar o Senado, mas afirma, nos bastidores, que uma decisão final será tomada próxima ao fim do prazo de desincompatibilização. São os casos de Eduardo Leite (PSD-RS), Ibaneis Rocha (MDB-DF), Wilson Lima (União-AM), Marcos Rocha (União-RO), Renato Casagrande (PSB-ES), Mauro Mendes (União-MT) e Gladson Cameli (PP-AC). Dirigentes da sigla de Cameli alegam que a candidatura dele ao Senado será anunciada em evento da sigla marcado para 4 de abril.
No campo da direita, o governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), aposta na aprovação popular do governo para a conquista da cadeira. Ele avalia que o julgamento em curso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que apura abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, não trará dificuldades para a candidatura ao Senado.
Para o cientista político da Universidade de Brasília (UnB) Murilo Medeiros, há uma “safra numerosa” de governadores bem avaliados e que enxergam um fortalecimento institucional do Congresso. O pesquisador aponta que o Senado “deixou de ser visto como fim de carreira e passou a ser plataforma de poder duradouro”.
Busca pela presidência
Os governadores bolsonaristas Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União-GO) e Ratinho Júnior (PSD-PR) descartam o Senado e apostam em uma candidatura à Presidência. Caso algum deles conquiste o Planalto em outubro, a vitória quebraria um jejum de 37 anos de governadores, desde quando o Fernando Collor, de Alagoas, superou Lula no segundo turno.
Os governadores Wanderlei Barbosa (Republicanos-TO), Carlos Brandão (sem partido-MA) e Paulo Dantas (MDB-AL), por sua vez, dizem que não disputarão eleições neste ano, permanecendo no governo até o fim do mandato
Foro privilegiado
Na eleição de 2018, três governadores tentaram cadeiras no Senado, mas apenas Confúcio Moura (RO) foi eleito. Já em 2022, quatro foram candidatos, e todos saíram vitoriosos — Renan Filho (AL), Wellington Dias (PI), Flávio Dino (MA) e Camilo Santana (CE).
A cientista política Carolina Botelho afirma que o crescente interesse de governadores pelo Senado pode ser explicado por um movimento bolsonarista. A Casa é vista por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como preferencial para retirar poderes do Supremo Tribunal Federal (STF).
Este cenário, segundo a pesquisadora, provoca uma reação da esquerda. O campo articula candidaturas fortes para evitar uma dominância da direita no Legislativo.
“A cadeira no Senado também é interessante para governadores pendurados na Justiça, como é o caso de Cláudio Castro, do Rio. O cargo de senador, com o foro privilegiado, pode oferecer a ele uma blindagem ao que responde atualmente”, avalia Botelho. As informações são do jornal O Globo.