Terça-feira, 28 de Maio de 2024

Home Mundo Internet é terreno fértil para cooptação de vítimas pelo tráfico humano, diz defensora pública

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O caso do bebê de 2 anos que desapareceu em Santa Catarina e foi resgatado em São Paulo, numa operação conjunta das polícias do dois estados, traz à tona o uso das redes por criminosos ligados ao tráfico humano para a cooptação de vítimas. A defensora pública federal Ana Claudia de Carvalho Tirelli, que integra o Grupo de Trabalho de Assistência e Proteção às Vítimas de Tráfico de Pessoas da Defensoria Pública da União (DPU), diz que a internet é um “terreno fértil” para a prática desse tipo de crime. O episódio envolvendo o menino Nícolas Areias Gaspar é um retrato sombrio desse modo de operação: sua mãe, de 22 anos, enfrentando depressão pós-parto e dificuldades financeiras, teria sido convencida por pessoas suspeitas durante dois anos de conversas num grupo virtual sobre maternidade solo de que não teria condições de criar o filho.

“O que eu tenho mais visto é o uso das redes sociais, inclusive em crimes de tráfico humano para fins de exploração sexual e laboral”, conta a defensora. “Trata-se de um crime invisível, logo muito difícil de ser quantificado, o que é um desafio para todos que lidam com o tema. Esse uso da internet nas abordagens, portanto, acredito que esteja acontecendo num quantitativo ainda maior, porque são organizações criminosas muito bem estruturadas. É muito fácil para eles lançarem um monte de propostas na rede e, se cinco vítimas caírem, já estão no lucro. É um meio muito fácil para eles.”

De acordo com Ana Claudia, os criminosos costumam se aproximar e obter o máximo de confiança das vítimas explorando sempre suas vulnerabilidades. A família de Nícolas Areias Gaspar conta que foi assim que a mãe dele, uma jovem de 22 anos, acabou entregando o filho a Marcelo Valverde e Roberta Porfírio, que foram presos em São Paulo. A polícia acredita que os dois passariam o menino para as mãos de outro casal de receptadores. A criança, levada da cidade catarinense de São José, não foi registrada pelo pai.

Após entregar o filho, diz a família, a mãe ingeriu remédios, quase tirando a própria vida, o que mostra seu nível de fragilidade. Ela ficou internada depois numa UTI por três dias.

“O tráfico humano movimenta vultosas cifras e arrasa com as vidas de suas vítimas. Na maioria das vezes, os aliciadores são pessoas que fazem parte do círculo de amizade da vítima, com quem ela mantém um relacionamento afetivo. Por vezes, são membros da própria família. São pessoas que se aproximam com cuidado, criam laços e, quando obtêm a confiança da vítima, fazem propostas que parecem irrecusáveis “, afirma a defensora pública federal, acrescentando. “A vulnerabilidade das vítimas é utilizada para cooptá-las e, em regra, estamos falando de vulnerabilidades que se sobrepõem, de vítimas em contextos de pobreza, de fragilidade psicológica e emocional.”

A Polícia Civil já sabe que os dois presos não possuíam nenhum vínculo amoroso e que entregariam a criança a um outro casal de receptadores já foram identificado. Graças à repercussão do caso, eles acabaram abortando a missão e pretendiam deixar o garoto num fórum em São Paulo. No entanto, foram surpreendidos pelos policiais, que seguiam as pistas do carro onde estavam desde Santa Catarina. Além da participação de uma quadrilha de tráfico de pessoas no crime, os investigadores apuram se a mãe teria recebido algum dinheiro para entregar o filho, possibilidade que a família rejeita.

Para Ana Claudia de Carvalho Tirelli, o tema do tráfico humano precisa ser mais debatido: “Uma das melhores armas para o combate ao tráfico humano, além do enfrentamento aos fatores que constituem causas de vulnerabilidade, é a informação. O tráfico de pessoas é tema que deve ser amplamente discutido na mídia, nas escolas, nas atividades comunitárias, com a divulgação maciça dos canais de denúncia: Disque 100 e Ligue 180.”

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