Segunda-feira, 06 de Abril de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 6 de abril de 2026
Investigadores à frente do caso do Banco Master estão rastreando transações no exterior da teia de fundos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro durante a tentativa de venda da instituição financeira ao Banco de Brasília (BRB). O mapeamento amplia a discussão sobre a devolução de ativos do banqueiro, uma das contrapartidas de acordos de delação premiada, como o que está em negociação, e também um dos obstáculos para que ele seja concretizado.
A apuração foca no fluxo de recursos em paraísos fiscais e outras regiões com regras menos rígidas para operações financeiras. Um dos destinos na mira é Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Essa frente de investigação foi concentrada no inquérito aberto em fevereiro, que apura suspeitas de gestão fraudulenta no BRB, instituição controlada pelo governo do Distrito Federal que apresentou proposta para aquisição do Master em março de 2025. O negócio foi barrado pelo Banco Central em setembro do ano passado. Dois meses depois, a instituição foi liquidada, e Vorcaro foi preso pela primeira vez.
Ressarcimento
O BRB apresentou um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que um eventual acordo de colaboração premiada ligado ao Banco Master reserve valores para indenizar o banco por prejuízos sofridos na operação que envolveu a tentativa de aquisição do banco de Vorcaro pela instituição, que é controlada pelo governo do Distrito Federal.
Antes de iniciar o processo de colaboração, Vorcaro vinha negando irregularidades e afirmando que estava à disposição da Justiça. Procurada para comentar, a defesa não se manifestou.
Vorcaro negocia um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) e já assinou um acordo de confidencialidade.
A expectativa dos investigadores é que ele apresente os anexos da delação em até duas semanas. Caso as tratativas avancem, pessoas que acompanham o caso de perto afirmam que o banqueiro precisará dar detalhes das operações fora do país.
Como revelou a colunista do Globo Malu Gaspar, interlocutores a par dos negócios do banqueiro estimam que ele tenha cerca de R$ 10 bilhões alocados fora do país. Vorcaro, portanto, teria interesse em acelerar o processo de delação para limitar o quanto precisaria devolver e evitar que os recursos sejam esvaziados por gestores, investidores, credores e outros atores que eventualmente tenham acesso aos fundos.
A complexa teia foi formada justamente com o intuito de dificultar o rastreamento das verbas e os reais beneficiários. Com o acordo de colaboração, Vorcaro indicaria aos investigadores onde está seu patrimônio e o dinheiro seria bloqueado, estabelecendo o limite. O valor a ser devolvido, no entanto, é um fator que deve alongar as tratativas — em conversas prévias, Vorcaro já teria demonstrado incômodo com a possibilidade de ter que desembolsar uma quantia muito expressiva.
Acordos de delação fechados anteriormente dão a dimensão dos montantes que entram na mira dos investigadores. O doleiro Dario Messer, por exemplo, devolveu R$ 1 bilhão aos cofres públicos, mesma multa aplicada aos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da J&F.
Já o banqueiro Eduardo Plass, responsável pela delação que atingiu o empresário Eike Batista, por sua vez, foi sancionado em R$ 300 milhões. No caso da Odebrecht, as multas dos acordos dos 77 colaboradores, que somavam R$ 500 milhões, foram bancadas pela empresa. Somente a multa relativa ao empresário Marcelo Odebrecht, ex-presidente da companhia, por exemplo, foi de R$ 73,4 milhões. A multa de Emílio Odebrecht, por sua vez, foi de R$ 68,7 milhões.
(Com O Globo)