Sexta-feira, 23 de Outubro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 22 de outubro de 2026
No centro de uma investigação da Polícia Federal (PF) por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo apostas online, o candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, e o advogado Willer Tomaz compartilham endereços, voos e parceiros comerciais, segundo documentos reunidos pela Folha de S.Paulo. Os dois afirmam manter uma relação de amizade e negam irregularidades.
Em cerca de 20 anos, Willer passou de proprietário de uma loja de computadores em Taguatinga (DF) a empresário com negócios em radiodifusão, precatórios, mineração, turismo e apostas online, além de sociedades com políticos, como os senadores Dr. Hiran (PP-RR) e Lobão Filho (MDB-MA).
O advogado também é investigado na operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS, por supostos repasses ao senador Weverton Rocha (PDT-MA). Ambos negam as acusações.
A aproximação entre Flávio e Willer começou em 2019, quando o advogado defendeu o ex-ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio em um caso envolvendo candidaturas supostamente fictícias. Em 2021, durante a CPI da Covid, Flávio chamou Willer de amigo em uma gravação.
Mansão
Em 27 de julho de 2020, Flávio visitou uma ilha cujos direitos de posse foram cedidos, em 2022, à WT Administração, empresa de gestão imobiliária ligada a Willer. Avaliado em R$ 10 milhões, o imóvel é alvo de uma disputa judicial com o jogador Richarlison, que afirma ter comprado a propriedade em 2020.
Segundo os documentos, o então secretário do Patrimônio da União, coronel Paulo da Silva Medeiros, cedeu os direitos de posse a Willer no mesmo dia em que o advogado apresentou uma certidão para transferência. Uma liminar de maio de 2022 consolidou o entendimento favorável ao uso do imóvel pelo empresário.
Richarlison e seus advogados pediram, em 17 de outubro, que a PF investigue a participação de Flávio na disputa. O jogador afirma que a propriedade foi tomada por meio de manobras judiciais. O senador nega irregularidades, enquanto Willer sustenta ter adquirido legalmente os direitos sobre o terreno e afirma ter desembolsado R$ 5 milhões para regularizar pendências fiscais.
Bets
Uma das conexões mais diretas entre Flávio e Willer identificadas nas investigações é a presença do senador como usuário master da conta bancária da Alcazar Holdings, empresa do advogado registrada na Ilha da Madeira, em Portugal. A informação foi publicada pelo UOL e confirmada pela Folha.
A Alcazar pode ter financiado a Cathedral, acionista única do conglomerado de apostas Rede Loto, cuja plataforma se chamava BestBet. A empresa obteve uma licença para operar no Rio de Janeiro em 2023, quando a Loterj era presidida por Hazenclever Cançado, indicado para o cargo pelo governador Cláudio Castro após sugestão de Flávio, segundo a reportagem.
A PF investiga possíveis irregularidades no processo de licenciamento envolvendo Willer, Flávio e Castro. Os três negam irregularidades.
Willer também é apontado como beneficiário final da RioPag, responsável pelo processamento de pagamentos do setor de apostas fluminense desde maio de 2023. A empresa faturou quase R$ 188 milhões entre junho daquele ano e agosto de 2026, segundo dados da Loterj. A autarquia cobra R$ 9,4 milhões em valores devidos, além de multa de R$ 4,8 milhões. Willer afirma não administrar a companhia, que contesta a cobrança na Justiça.
Voos
Segundo a PF, Flávio e Willer viajaram juntos, com familiares, em aeronaves executivas para destinos nos Estados Unidos e na Europa.
Em janeiro de 2025, Flávio, a esposa, as duas filhas e Willer voaram de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, para Brasília em um jato Legacy 650. O advogado afirmou ter custeado o trecho com horas de sua própria cota e disse que os passageiros eram seus convidados.
Para pagar R$ 8,72 milhões à empresa responsável pela aeronave, Willer utilizou a Alcazar Holdings, na qual Flávio figurava como usuário master da conta bancária.
Em abril e maio de 2025, Flávio e Willer também viajaram entre Lisboa, Cascais, Nice e Paris. Pelo menos três trechos na Europa foram custeados pela Cathedral, empresa ligada à Rede Loto.
Endereços compartilhados
Outra conexão envolve empresas registradas no mesmo endereço comercial em Águas Claras, no Distrito Federal. A Bravo Grafeno, empresa de capacetes de grafeno da qual Flávio e Jair Bolsonaro são sócios, ocupa o mesmo endereço que a construtora RPLD, ligada a Antônio Carlos Camilo, conhecido como Careca do INSS.
Camilo é investigado em apurações sobre fraudes previdenciárias e lavagem de dinheiro. Seu principal sócio, Alexandre Caetano dos Reis, tem uma irmã que é diretora estatutária do escritório de advocacia de Flávio.
O escritório funciona em uma casa avaliada em R$ 6 milhões, adquirida pelo senador com pagamento à vista de R$ 3,4 milhões ao Banco de Brasília (BRB). Segundo o UOL, o escritório emitiu pelo menos R$ 13,7 milhões em notas fiscais entre janeiro de 2023 e julho de 2026.
Flávio afirmou anteriormente que as notícias sobre seu escritório representam tentativas de criminalizar a advocacia. (Com informações da Folha de S.Paulo)