Domingo, 14 de Junho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 14 de junho de 2026
Donald Trump pediu que Israel não ataque o Líbano enquanto os Estados Unidos negociam com o Irã sobre o conflito no Golfo. Neste domingo (14), após Israel voltar a atacar os subúrbios ao Sul de Beirute, o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou os Estados Unidos de “não respeitar compromissos”. Segundo o presidente americano, um acordo “está muito próximo”, mas Ghalibaf afirmou que “não faz sentido” negociar diante de nova ofensiva israelense no país árabe.
Em post na rede social X, Ghalibaf afirmou e que “não faz sentido” continuar as negociações de paz com os americanos após seu aliado, Israel, atacar os subúrbios ao sul de Beirute. O ataque israelense deixou três mortos, de acordo com a defesa civil libanesa.
“A agressão dos sionistas contra Dahiyeh demonstrou mais uma vez que os Estados Unidos ou não têm vontade de cumprir seus compromissos, ou não têm capacidade para fazê-lo”, escreveu. “Se vocês não têm vontade ou capacidade de cumprir seus compromissos, então não há sentido em falar sobre continuar por esse caminho”, acrescentou, em meio aos esforços em andamento para finalizar um acordo de paz entre as partes em conflito.
Em nota conjunta, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmaram que o exército do país efetuou ataques “no bairro de Dahiyeh, em Beirute (…) em resposta aos disparos do Hezbollah contra território israelense”,. “Israel não vai tolerar nenhum ataque contra seu território”, acrescenta a nota.
Antes disso, enquanto Trump prometia a assinatura do memorando entre EUA e Irã para este domingo, a agência de notícias iraniana Fars informava que Teerã ainda não tomou uma decisão final sobre a assinatura do memorando em discussão com os Estados Unidos para encerrar a guerra no Golfo.
“A República Islâmica do Irã ainda não tomou nem anunciou sua decisão final em relação ao memorando de entendimento proposto durante as negociações”, informou a Fars, que é próxima de círculos conservadores iranianos, citando “uma fonte bem informada próxima à equipe negociadora iraniana”.
Um assessor do ministro das Relações Exteriores do Catar chegou à capital iraniana neste domingo, de acordo com a agência de notícias Tasnim para “analisar os últimos acontecimentos relacionados ao processo diplomático”. Após uma semana com novos ataques entre Irã Estados Unidos e Israel, que provocaram o temor de uma nova escalada regional, Washington e Teerã anunciaram avanços no texto do memorando e que um acordo estaria próximo.
Na sexta e no sábado, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atua como mediador no conflito, afirmou que o memorando seria assinado por via eletrônica nas próximas 24 horas e que os detalhes seriam discutidos na próxima semana. Teerã afirmou que nada seria assinado até domingo, e no sábado foram postados vídeos em que dezenas de pessoas protestam contra o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, deixando claro que a linha-dura do governo ainda não estava contente com os termos do memorando.
O conflito começou em 28 de fevereiro, quando Israel e Estados Unidos atacaram o Irã e mataram o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei. Teerã respondeu com bombardeios contra alvos americanos nos países do Golfo aliados de Washington e com o fechamento do Estreito de Ormuz. Em 2 de março, o Líbano entrou na guerra com os ataques do Hezbollah contra Israel, que respondeu com uma ofensiva militar que já provocou mais de 3.700 mortes, segundo o governo libanês.
Uma trégua em 8 de abril interrompeu a maior parte dos ataques diretos entre Irã e Estados Unidos, mas não incluiu Israel, nem paralisou a guerra no Líbano — o que seria uma das exigências de Teerã. As negociações permanecem estagnadas em vários pontos: o programa nuclear iraniano, o controle do Estreito de Ormuz (crucial para o comércio mundial de combustíveis e fertilizantes agrícolas), o fim das sanções ao Irã e a inclusão do Líbano no acordo de paz.
Segundo o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, o texto que está sendo negociado prevê o fim do bloqueio americano aos portos iranianos e uma nova gestão do Estreito de Ormuz, controlado por Teerã desde o início da guerra. (Com informações do jornal O Globo)