Segunda-feira, 06 de Abril de 2026

Home Mundo Irã reforça defesas, mobiliza civis e até crianças diante do risco de invasão dos Estados Unidos

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Diante da possibilidade de uma ofensiva terrestre dos Estados Unidos, o Irã iniciou uma ampla mobilização militar e civil, reforçando suas defesas em pontos estratégicos do Golfo Pérsico e ameaçando ampliar ataques na região, segundo o Wall Street Journal. O governo também passou a convocar a população para um esforço de guerra nos moldes do conflito contra o Iraque nos anos 1980, incluindo o recrutamento de menores de idade para funções de apoio.

A medida é alvo de críticas de organizações internacionais. A Anistia Internacional afirma que o recrutamento de crianças a partir dos 12 anos para a força voluntária Basij, ligada à Guarda Revolucionária, pode configurar crime de guerra. Segundo a entidade, relatos de testemunhas e análise de vídeos indicam que menores foram mobilizados em postos de controle e patrulhas, alguns armados com fuzis de assalto.

O movimento ocorre após o presidente americano, Donald Trump, ordenar o envio de milhares de fuzileiros navais e tropas aerotransportadas ao Oriente Médio. Embora Washington não tenha confirmado planos de invasão, o deslocamento ampliou as opções militares dos EUA, levando Teerã a intensificar preparativos e retórica de confronto.

Segundo analistas, o regime iraniano aposta em um cenário de combate prolongado e assimétrico, no qual poderia compensar sua inferioridade aérea frente aos EUA e Israel impondo custos elevados a uma eventual operação terrestre.

Um dos focos da preparação é a ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do país e considerada um alvo provável em caso de invasão. Autoridades iranianas afirmam que o local teve suas defesas ampliadas, com reforço de sistemas de mísseis guiados, instalação de minas costeiras e preparação de armadilhas em instalações estratégicas.

Especialistas avaliam que o Irã também vem transformando ilhas do Golfo em verdadeiras posições fortificadas, com túneis subterrâneos e arsenais prontos para resistir a ataques. Essas áreas seriam defendidas com mísseis, drones e outras munições, dificultando qualquer tentativa de avanço estrangeiro.

Outro ponto de atenção é o uso crescente de drones de visão em primeira pessoa (FPV), tecnologia já empregada por milícias apoiadas por Teerã no Iraque e que, segundo analistas, está disponível em maior escala para a Guarda Revolucionária. Nesse cenário, analistas apontam que uma eventual ofensiva americana poderia ter como alvo justamente Kharg, em uma tentativa de interromper ou controlar as exportações de petróleo iranianas. Outras hipóteses incluem a captura de ilhas no Estreito de Ormuz, como Abu Musa, ou operações de forças especiais voltadas ao programa nuclear, como a apreensão de estoques de urânio enriquecido.

Em caso de ataque, o Irã poderia lançar mísseis e drones a partir de múltiplos pontos do território, incluindo a ilha de Qeshm e a região de Bushehr. A dispersão dessas bases dificultaria a neutralização rápida das capacidades ofensivas do país. Segundo especialistas, tropas invasoras enfrentariam resistência intensa a partir de túneis fortificados, com uso de drones de baixo custo e sistemas portáteis de defesa aérea.

“Não há meio-termo nesse tipo de operação. Qualquer alternativa limitada tende a resultar em pesadas baixas”, avalia Gleb Irisov, ex-oficial da Força Aérea russa. As informações são do jornal O Globo e de agências internacionais de notícias.

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