Domingo, 14 de Junho de 2026

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O pesquisador e professor norte-americano, Norman Finkelstein, afirma que Israel “colhe o que plantou”: há um aumento nos episódios de antissemitismo no mundo porque os israelenses cometem um genocídio em Gaza e porque organizações judaicas tentam sufocar qualquer crítica às políticas do Estado judeu.

Renomado cientista político judeu critico a Israel, Finkelstein, que não foge de polêmicas. “Uma das maiores conquistas de Israel foi conseguir restaurar o ódio do mundo pelos judeus”, diz ele, que veio ao Brasil para o relançamento de sua obra “A Indústria do Holocausto”, pela Autonomia Literária.

No livro, Finkelstein acusa organizações judaicas de usar o Holocausto para imunizar Israel contra as críticas e obter indenizações indevidas.

Confira a seguir os principais de sua entrevista à Folha de S. Paulo.

1. “O Holocausto provou ser uma arma ideológica indispensável. Por meio de seu uso, uma das potências militares mais formidáveis do mundo, com um histórico horrendo de direitos humanos, apresentou-se como um Estado ‘vítima’. Dividendos consideráveis decorrem dessa vitimização espúria —em particular, imunidade a críticas”. O senhor escreveu isso há 26 anos. Ainda se aplica?

Algo fundamental mudou depois do 7 de Outubro [data em que o grupo terrorista Hamas atacou Israel, dando início à guerra ainda corrente]. Sempre que Israel cometia crimes significativos sob o direito internacional, encontrava uma maneira de recorrer ao Holocausto nazista para conseguir algum tipo de imunidade.
Após o 7 de Outubro, durante o primeiro mês, ficavam dizendo que havia sido o maior massacre de judeus desde o Holocausto nazista. Depois, pararam de dizer isso. Perceberam que haviam esgotado as imunidades do Holocausto nazista.
Além disso, acredito que, no fundo, estavam pensando: “Talvez não devêssemos dizer isso porque as pessoas vão começar a dizer que estamos cometendo um genocídio em Gaza. Vai ser um tiro pela culatra.” O que é verdade, porque em dezembro a África do Sul foi à Corte Internacional de Justiça. Então, não era útil falar sobre o Holocausto nazista porque Israel não queria falar sobre genocídio. Eu acho que a indústria do Holocausto acabou.

2. O Tribunal Penal Internacional tem um mandado de prisão para Netanyahu, mas também para três líderes do Hamas (dois já mortos). Na sua visão, tanto os líderes do Hamas quanto Netanyahu cometeram crimes contra a humanidade?

É uma questão de definição. Se você ataca civis em grande número, é um crime de guerra. Mas devemos aplicar o mesmo padrão moral ao Hamas e a Israel? Há um padrão legal, e eu não o contesto. Atrocidades massivas foram cometidas no 7 de Outubro. Mas há certas conclusões do relatório que Israel divulgou que estão erradas. O Hamas não usou o estupro como arma no 7 de Outubro.

3. As mortes de civis israelenses não são contestadas.

Atrocidades de magnitude significativa ocorrem. Não estou questionando esse ponto. Mas, moralmente, acho que existe um padrão diferente. Houve no Caribe, no Haiti, revoltas massivas de escravos, eles mataram dezenas de milhares de brancos. A história não os condena. Quantas vezes você ouviu as revoltas de escravos serem condenadas por matar brancos? Eu não ouvi.

4. Mas isso justifica matar civis?

Eu nunca disse que é justificado. Mas não vou subir em um palanque e repreender o povo de Gaza. Acho muito presunçoso fazer isso. E aqueles que se autodenominavam abolicionistas no meu país nunca condenaram as revoltas de escravos. Não sinto que tenho estatura moral para repreender o Hamas ou para dar lições a eles sobre direitos humanos.

5. Há um cessar-fogo seguidamente violado em Gaza e um plano de paz desenhado por Donald Trump. Qual é o futuro de Gaza?

Não há futuro. Acabou. É como o Gueto de Varsóvia durante a Segunda Guerra Mundial. Ele foi se fechando, apertando as fronteiras, até as pessoas sufocarem. Há alguns dias, Netanyahu disse em uma reunião que agora Israel controla 60% de Gaza, e a plateia começou a gritar “100%”. Ele disse: “Não se apressem, vamos agora mirar em 70%.”

Bem, Gaza já estava entre as populações mais densas do mundo, e agora essa população vai ser confinada a 30% de Gaza. Isso é sufocamento literal. Eles vão criar condições tão horríveis que as pessoas farão como aquelas pessoas de países da África fugindo de barco para a Itália. Quando os barcos começarem a afundar, Israel não vai aceitá-las e ninguém vai impor sanções ao país para forçá-lo. Israel espera que elas descubram um jeito de sair e querem que haja pressão internacional suficiente para que alguns países as aceitem. (As informações são da Folha de S. Paulo)

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