Sexta-feira, 20 de Março de 2026

Home Música Jorge Aragão comenta experiência ao entrar no Copacabana Palace pela segunda vez na vida: “Não parecia um lugar meu”

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Nem a carreira consolidada de décadas impediu o sambista Jorge Aragão, aos 77 anos, de sentir a hesitação histórica ao cruzar a portaria do Copacabana Palace na última quinta-feira (19).

Convidado da primeira edição de 2026 do Jantar Preto, o artista — que visitava o hotel apenas pela segunda vez na vida — personificou o debate sobre o pertencimento da população negra em espaços de luxo. Acompanhado pela neta, Fernanda Aragão, Aragão transformou sua presença em um manifesto sobre herança e a ocupação de territórios que, por direito, também são seus.

A imagem de um artista consolidado e reverenciado em todo o país sentindo-se um estranho em um dos endereços mais famosos do Rio de Janeiro revela as camadas invisíveis da exclusão. Para Aragão, o ato de entrar no “Copa” ainda carrega um resquício de hesitação, um reflexo de uma sociedade que por muito tempo delimitou onde certos corpos poderiam ou não circular com naturalidade.

Vitória da herança

A sensação de não pertencer, mesmo diante de todo o sucesso, foi uma das confissões mais íntimas do sambista durante a noite. Ao descrever o impacto de cruzar a portaria do hotel, ele revelou o conflito interno entre a sua grandeza artística e as barreiras históricas impostas à população negra.

“Sinto-me totalmente representado por uma outra geração. É apenas a segunda vez que piso aqui no Copacabana Palace e, confesso, quando coloquei o pé na portaria, a vontade foi de dar um passo atrás e sair, como se este não fosse um lugar meu, um espaço que eu pudesse receber e ocupar”, confidenciou o artista.

A hesitação, no entanto, deu lugar ao encantamento. O autor de versos que curam e explicam o Brasil percebeu que a sua presença ali era a materialização das mensagens que ele mesmo espalhou pelo mundo. “Logo eu, que escrevi tanto sobre como quem cede a vez não quer vitória… Nós somos a herança da memória. Estou maravilhado com as possibilidades que podem vir daqui, deste jantar que passo hoje ao lado da minha neta. Foi ela quem me trouxe, quem me puxou para cá”, celebrou.

Ele enxerga no evento um movimento para buscar o que foi perdido no passado e garantir que as próximas gerações não precisem mais hesitar diante de uma portaria luxuosa.

“Estou muito feliz e espero fazer parte desta família muito mais vezes. É importante entender o que se busca para o futuro, combatendo essa fuga histórica do capital e dos saberes negros que já existiam há muito tempo. É um lugar onde podemos preservar o que é nosso e continuar fazendo parte da história, agora com orgulho”, afirmou o mestre.

Ao lado de nomes como Regina Casé, L7NNON e Erika Januza, Jorge Aragão não era só um convidado de honra; era o símbolo vivo de que o talento, a ancestralidade e a união são as chaves definitivas para abrir qualquer porta.

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