Segunda-feira, 23 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 23 de março de 2026
Juliana Alves se emociona ao analisar o atual momento da dramaturgia brasileira com a representatividade negra consolidada nas novelas e em personagens antes não ocupados pela comunidade. A atriz, que está no ar em Três Graças, conversou com a Quem sobre como ela teve seu desejo de conquistar seu espaço fortalecido por meio do trabalho de outras grandes atrizes.
“Desde Ruth de Souza, Chica Xavier, Lea Garcia, eu vejo o movimento e a presença de mulheres negras que me fortaleciam, inclusive para eu pensar estrategicamente e ter consciência de como era importante eu resistir apesar de muitos momentos e cenários desanimadores”, disse.
Ela estreou como atriz na novela Chocolate com Pimenta (2003), logo após participar do BBB 3, o mesmo da apresentadora Sabrina Sato.
“Eu sou de uma geração que viveu muitas dificuldades. Mesmo que as nossas atrizes mais velhas tivessem pavimentado o caminho, a minha geração viveu muito ainda o racismo pesado, velado e o explícito. A gente conseguiu ir construindo uma realidade diferente, a qual a gente está vendo hoje”, explicou.
“A gente ainda precisa melhorar muito, mas eu sou essa geração que viu a coisa melhorar de uma maneira que a gente consegue discernir muito bem o antes e o depois. A gente precisa continuar se fortalecendo e criando uma geração diferente, uma geração em que toda a sociedade esteja envolvida nessa transformação e não só as pessoas negras.”
Juliana ainda ressaltou a importância de uma novela como A Nobreza do Amor, que tem todo o elenco principal negro e atrizes como Erika Januza e Duda Santos como realeza.
“É uma grande emoção que eu já tive lá atrás ao ver a Lucy Ramos como rainha. Mas era uma coisa muito pontual. Essa novela, A Nobreza do Amor, da forma em que está sendo apresentada, não aconteceu de uma hora para outra. Foi uma construção de muitos anos e muitos criadores. Teve toda uma preparação mesmo para que a gente conseguisse conquistar esse espaço. Estou muito feliz por esses colegas e porque estou realizando um sonho como telespectadora”, celebrou.
“Fico muito emocionada e também reflexiva. Vejo como foi importante a gente ter demonstrado no passado que não estava tudo bem, que a gente queria mais, que o nosso povo merecia mais. Valeu a pena. As próximas gerações vão desfrutar disso com mais facilidade e vão poder sonhar ainda mais longe.”