Quarta-feira, 17 de Julho de 2024

Home Variedades Keanu Reeves dá nome a nova arma dos cientistas contra os fungos

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Pesquisadores alemães do Instituto Leibniz de Pesquisa de Produtos Naturais e Biologia de Infecções (Leibniz-HKI), na Alemanha, descobriram que um grupo de moléculas produzidas por bactérias do gênero Pseudomonas pode ser um poderoso agente contra doenças fúngicas em plantas e humanos.

As moléculas foram batizadas de keanumicinas, uma homenagem dos cientistas ao ator Keanu Reeves, famoso por interpretar personagens icônicos como Thomas Anderson, de Matrix, e John Wick, protagonista da franquia de mesmo nome.

Descritas em artigo publicado em janeiro no Journal of the American Chemical Society, as keanumicinas são classificadas como lipopeptídeos, que são moléculas com ampla aplicação nas indústrias biotecnológica e farmacêutica.

Os compostos recém-descobertos possuem propriedades antifúngicas que agem principalmente contra Botrytis cinerea, um fungo que ataca plantas e causa a chamada “podridão cinzenta”. Além disso, as keanumicinas também atuam contra fungos patogênicos perigosos aos humanos, como Candida albicans, responsável pela candidíase.

De acordo com Sebastian Götze, pós-doutorando em Leibniz-HKI e primeiro autor do estudo, a ideia de homenagear Keanu Reeves surgiu porque as keanumicinas matam com muita eficiência – tal como muitos personagens interpretados pelo ator. É importante ressaltar que elas só atacam fungos e não prejudicam células vegetais e humanas. Por isso, especialistas acreditam que essas moléculas podem ser uma alternativa a pesticidas químicos que causam danos à saúde.

“Muitos fungos patogênicos aos humanos se tornaram resistentes a antifúngicos – em parte porque [esses produtos] são usados ​​em grandes quantidades nos campos agrícolas”, explica Götze, em comunicado.

Além dos prejuízos à saúde, a economia e a agricultura também perdem com pragas dessa natureza. Fungos como Botrytis cinerea, que pode afetar mais de 200 espécies de frutas e vegetais, são responsáveis por prejuízos milionários anuais em colheitas.

Ação mortal

Segundo Pierre Stallforth, chefe do departamento de Paleobiotecnologia na Leibniz-HKI, a descoberta das “moléculas mortais” advindas de Pseudomonas não foi uma surpresa para a equipe. Isso porque os cientistas já haviam reconhecido que esse gênero de bactérias era extremamente tóxico a amoebas.

Então, eles resolveram entender o que exatamente fazia com que as Pseudomonas fossem tão letais a certas espécies. Dessa forma, a equipe descobriu genes responsáveis por sintetizar três compostos naturais e “exterminadores”: as keanumicinas A, B e C.

A toxicidade dessas moléculas afeta principalmente as amoebas que se alimentam de bactérias. A suspeita de que fungos também seriam afetados por esse efeito surgiu pois eles têm características fisiológicas semelhantes às de amoebas.

A suposição foi confirmada quando especialistas testaram as keanumicinas em folhas de hortênsias infectadas por B. cinerea no Centro de Pesquisa para Culturas Hortícolas da Universidade de Ciências Aplicadas de Erfurt, na Alemanha. Nos testes, o agente se mostrou eficaz contra a podridão do mofo cinzento.

“A keanumicina é biodegradável, portanto, nenhum resíduo permanente deve se formar no solo. Isso significa que o produto natural tem potencial para se tornar uma alternativa ecológica aos pesticidas químicos”, esclarece Götze.

O especialista também afirma que a aplicação das keanumicina em humanos ainda precisa ser estudada, mas, em testes in vitro, elas já apresentaram bons resultados contra fungos que nos afetam, como a Candida albicans. Isso torna essas moléculas boas candidatas ao desenvolvimento de medicamentos antifúngicos.

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