Sábado, 24 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 23 de janeiro de 2026
Neste sábado, 24 de janeiro, a cidade de Porto Alegre celebra um marco histórico: os 50 anos da Reserva Biológica do Lami José Lutzenberger. Criada em 1975, às margens do Guaíba, no extremo sul da capital gaúcha, a reserva nasceu com a missão de proteger uma espécie rara de planta, a efédra (Ephedra tweediana), mas ao longo das décadas se transformou em um verdadeiro santuário de biodiversidade e em um símbolo da resistência ambiental. A história da reserva se confunde com a própria trajetória da cidade e da luta pela preservação da natureza no Brasil.
Em meio ao avanço da urbanização e às pressões da especulação imobiliária, o espaço foi mantido como área de proteção integral, garantindo que sua vegetação nativa, suas aves migratórias e seus pequenos mamíferos encontrassem ali um refúgio seguro. Mais do que um abrigo para espécies ameaçadas, a reserva tornou-se essencial para o equilíbrio climático da região metropolitana. Suas áreas verdes e corpos d’água ajudam a manter temperaturas mais amenas, funcionando como um pulmão que refresca Porto Alegre e seus arredores.
Administrada pela Prefeitura de Porto Alegre, em parceria com órgãos ambientais, a reserva tem acesso restrito. Não é um parque aberto ao público em geral, mas recebe visitas educativas e científicas, especialmente de escolas e universidades. Essa característica reforça seu papel como espaço de pesquisa e aprendizado, onde jovens podem compreender a importância da conservação e desenvolver uma relação mais próxima com a natureza. Ao longo de cinco décadas, inúmeros projetos de monitoramento e educação ambiental foram realizados ali, consolidando o Lami como referência no estudo do bioma Pampa e na proteção de espécies ameaçadas.
O nome da reserva homenageia José Lutzenberger, engenheiro agrônomo e ambientalista gaúcho que se tornou uma das vozes mais influentes da defesa ambiental no país. Lutzenberger foi pioneiro ao denunciar os impactos do uso indiscriminado de agrotóxicos e ao propor práticas agrícolas sustentáveis. Criou a Fundação Gaia e antes disso fundou a Agapan, atuou incansavelmente para despertar a consciência ecológica em uma época em que o tema ainda era pouco discutido. Sua trajetória o levou a ocupar cargos de destaque, como o de secretário nacional do Meio Ambiente, mas sua maior herança foi a militância apaixonada pela vida e pela preservação.
A escolha de seu nome para batizar a reserva é um tributo à sua visão de que proteger a natureza é proteger a própria humanidade. Ao completar meio século, a Reserva Biológica do Lami José Lutzenberger nos lembra da importância de oferecer à juventude espaços preservados, onde seja possível aprender, se divertir e se reconectar com o mundo natural. Em tempos de cidades cada vez mais densas e tecnológicas, a experiência de caminhar por um ambiente intocado, ouvir o canto das aves e observar plantas raras é uma oportunidade única de construir uma relação de respeito e cuidado com o planeta.
A celebração deste aniversário é também um convite à esperança. Se Porto Alegre conseguiu manter este refúgio vivo por 50 anos, é possível acreditar que outras áreas degradadas possam ser restauradas e transformadas em novos santuários de biodiversidade. Em 2026, o centenário de nascimento de Lutzenberger reforçará ainda mais essa mensagem: preservar não é apenas conservar o que existe, mas recriar a vida onde ela foi perdida.
Que o exemplo do Lami inspire novas gerações a lutar por cidades mais verdes, por políticas públicas que valorizem o meio ambiente e por uma convivência mais harmônica entre sociedade e natureza. Afinal, a história da reserva e de seu patrono nos mostra que a preservação é uma escolha que pode garantir futuro e esperança.
* Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética
Contato: rena.zimm@gmail.com
Por Redação Rádio Pampa | 23 de janeiro de 2026
Neste sábado, 24 de janeiro, a cidade de Porto Alegre celebra um marco histórico: os 50 anos da Reserva Biológica do Lami José Lutzenberger. Criada em 1975, às margens do Guaíba, no extremo sul da capital gaúcha, a reserva nasceu com a missão de proteger uma espécie rara de planta, a efédra (Ephedra tweediana), mas ao longo das décadas se transformou em um verdadeiro santuário de biodiversidade e em um símbolo da resistência ambiental. A história da reserva se confunde com a própria trajetória da cidade e da luta pela preservação da natureza no Brasil.
Em meio ao avanço da urbanização e às pressões da especulação imobiliária, o espaço foi mantido como área de proteção integral, garantindo que sua vegetação nativa, suas aves migratórias e seus pequenos mamíferos encontrassem ali um refúgio seguro. Mais do que um abrigo para espécies ameaçadas, a reserva tornou-se essencial para o equilíbrio climático da região metropolitana. Suas áreas verdes e corpos d’água ajudam a manter temperaturas mais amenas, funcionando como um pulmão que refresca Porto Alegre e seus arredores.
Administrada pela Prefeitura de Porto Alegre, em parceria com órgãos ambientais, a reserva tem acesso restrito. Não é um parque aberto ao público em geral, mas recebe visitas educativas e científicas, especialmente de escolas e universidades. Essa característica reforça seu papel como espaço de pesquisa e aprendizado, onde jovens podem compreender a importância da conservação e desenvolver uma relação mais próxima com a natureza. Ao longo de cinco décadas, inúmeros projetos de monitoramento e educação ambiental foram realizados ali, consolidando o Lami como referência no estudo do bioma Pampa e na proteção de espécies ameaçadas.
O nome da reserva homenageia José Lutzenberger, engenheiro agrônomo e ambientalista gaúcho que se tornou uma das vozes mais influentes da defesa ambiental no país. Lutzenberger foi pioneiro ao denunciar os impactos do uso indiscriminado de agrotóxicos e ao propor práticas agrícolas sustentáveis. Criou a Fundação Gaia e antes disso fundou a Agapan, atuou incansavelmente para despertar a consciência ecológica em uma época em que o tema ainda era pouco discutido. Sua trajetória o levou a ocupar cargos de destaque, como o de secretário nacional do Meio Ambiente, mas sua maior herança foi a militância apaixonada pela vida e pela preservação.
A escolha de seu nome para batizar a reserva é um tributo à sua visão de que proteger a natureza é proteger a própria humanidade. Ao completar meio século, a Reserva Biológica do Lami José Lutzenberger nos lembra da importância de oferecer à juventude espaços preservados, onde seja possível aprender, se divertir e se reconectar com o mundo natural. Em tempos de cidades cada vez mais densas e tecnológicas, a experiência de caminhar por um ambiente intocado, ouvir o canto das aves e observar plantas raras é uma oportunidade única de construir uma relação de respeito e cuidado com o planeta.
A celebração deste aniversário é também um convite à esperança. Se Porto Alegre conseguiu manter este refúgio vivo por 50 anos, é possível acreditar que outras áreas degradadas possam ser restauradas e transformadas em novos santuários de biodiversidade. Em 2026, o centenário de nascimento de Lutzenberger reforçará ainda mais essa mensagem: preservar não é apenas conservar o que existe, mas recriar a vida onde ela foi perdida.
Que o exemplo do Lami inspire novas gerações a lutar por cidades mais verdes, por políticas públicas que valorizem o meio ambiente e por uma convivência mais harmônica entre sociedade e natureza. Afinal, a história da reserva e de seu patrono nos mostra que a preservação é uma escolha que pode garantir futuro e esperança.
* Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética
Contato: rena.zimm@gmail.com