Sexta-feira, 16 de Outubro de 2026

Home Acontece Leite apresenta a Alckmin carteira de R$ 28 bilhões em projetos estratégicos para o RS

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Plano reúne investimento da CMPC, expansão da oferta de gás natural e iniciativa para atrair data centers e serviços digitais

O governador Eduardo Leite apresentou nesta sexta-feira ao vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, uma agenda de projetos que pode mobilizar cerca de R$ 28 bilhões em investimentos privados no Rio Grande do Sul. A reunião, realizada na sede da Invest RS, em São Paulo, teve como foco iniciativas nas áreas de indústria, infraestrutura, energia e tecnologia consideradas centrais para ampliar a competitividade da economia gaúcha.

O principal tema do encontro foi o Projeto Natureza, da CMPC, que prevê a construção de uma nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro. Com investimento estimado em R$ 27 bilhões, o empreendimento representa a maior iniciativa da carteira apresentada ao governo federal e tem potencial para ampliar a participação do Estado em uma das cadeias exportadoras mais relevantes do país.

O avanço do projeto depende da conclusão de etapas do licenciamento ambiental. Neste momento, a principal expectativa está relacionada à manifestação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), necessária para que a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) possa emitir a licença prévia do empreendimento.

“Conversamos sobre grandes projetos que estão sendo viabilizados no Estado para investimentos. Tratamos do projeto da celulose da CMPC e estamos acompanhando o encerramento das tratativas da empresa com a Funai. Temos a expectativa de que isso tenha resolução nos próximos dias”, afirmou Leite.

Além da unidade industrial, a companhia prevê a construção de um terminal próprio no Porto do Rio Grande para apoiar a operação logística do empreendimento. A fábrica terá capacidade projetada para produzir 2,5 milhões de toneladas de celulose por ano, volume que tende a reforçar o perfil exportador do Estado e ampliar a movimentação portuária.

A reunião também tratou da criação da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Serviços e Infraestrutura Digitais do Rio Grande do Sul. A proposta busca atrair investimentos em data centers, computação em nuvem, inteligência artificial e processamento de dados voltados à exportação.

Nesta semana, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico publicou o termo de referência para selecionar uma empresa privada que ficará responsável por apoiar a estruturação da iniciativa. Pelo modelo proposto, tanto a implantação quanto a operação deverão ser financiadas pela iniciativa privada, sem aporte direto de recursos estaduais.

“A expectativa é que, até dezembro, o Estado tenha uma empresa privada selecionada para apoiar a estruturação do projeto, que vamos apresentar ao conselho nacional responsável pela análise das Zonas de Processamento de Exportação. Adiantei ao vice-presidente os pontos dessa iniciativa”, disse o governador.

A aposta do governo é posicionar o Rio Grande do Sul em um segmento que vem recebendo investimentos crescentes em todo o mundo, impulsionado pela expansão da inteligência artificial e pela demanda por capacidade de processamento e armazenamento de dados.

Outro tema apresentado a Alckmin foi o projeto desenvolvido em parceria com a EDGE, empresa do grupo Compass, para ampliar a oferta de gás natural no Estado. O memorando de entendimento firmado entre as partes prevê o aprofundamento dos estudos para implantação de um terminal de gás natural liquefeito (GNL) no Porto do Rio Grande.

A iniciativa poderá mobilizar até R$ 1 bilhão em investimentos e criar uma nova alternativa de suprimento energético para o mercado gaúcho. Na avaliação do governo estadual, a ampliação da infraestrutura de gás natural é um fator relevante para aumentar a competitividade da indústria e ampliar a capacidade de atração de novos empreendimentos.

A disponibilidade de energia tem ganhado importância crescente nas decisões de investimento, especialmente em projetos industriais e operações intensivas em tecnologia. Nesse contexto, a expansão da oferta de gás é vista pelo governo gaúcho como um elemento de apoio à estratégia de crescimento econômico de longo prazo.

Leite e Alckmin também discutiram a possibilidade de ampliação do prazo de suspensão do pagamento da dívida do Estado com a União, medida que permitiu a constituição do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). O objetivo é ampliar a capacidade de financiamento de projetos de irrigação considerados estratégicos para reduzir os efeitos das estiagens sobre a produção agropecuária.

Embora em estágios distintos de desenvolvimento, os projetos apresentados compartilham um objetivo comum: ampliar a competitividade do Rio Grande do Sul por meio da atração de capital privado e da expansão da infraestrutura produtiva. Entre indústria exportadora, energia, logística, tecnologia e irrigação, a agenda discutida com o vice-presidente reflete a tentativa do Estado de criar condições para sustentar ciclos mais robustos de investimento e crescimento nos próximos anos. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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