Sábado, 04 de Abril de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 4 de abril de 2026
No tempo que moramos em São Paulo, quase todos os domingos nós íamos para o sítio de um casal amigo Roni e Rui Portinari Fabri (sobrinho do Pintor), nas proximidades do vilarejo chamado Rio Grande, nas margens da Represa Billings, no início da descida da Serra, perto da Via Anchieta, na Mata Atlântica, na estrada de Santos.
Naquele fatídico domingo de final de Janeiro de 1978, ao voltarmos, no fim do dia de um belo domingo de verão, encontramos nossa casa arrombada e vilipendiada de tal forma que, praticamente, ficamos sem roupa para os filhos irem ao Colégio e para eu ir pro trabalho na segunda-feira…e num ato de covarde vingança social, fizeram cocô no chão e jogaram nas paredes o que deixou a casa inteira fedendo terrivelmente. Nossa!… Quanto ódio… não bastou levarem tudo que roubaram. Tinham que mostrar seu ódio, seu desprezo.
Como o casal Percival e a ‘Tuca’ (um dos frequentadores assíduos do sítio) eram nossos amigos e ele era o Delegado de Polícia Regional de São Bernardo do Campo, imediatamente a Polícia Técnica veio e tirou as fotos, impressões e etc. Haviam usado pé de cabra, rebentaram fechaduras, destruíram a porta dos fundos, arrombaram meu birô e… serviram-se descaradamente.
Quem cuidava dos seguros da empresa multinacional onde eu era Diretor – e dos meus próprios seguros – era eu. Tudo que tínhamos era segurado em valores reais orientados pela corretora internacional inglesa Johnson & Higihins. Feita a auditoria e o levantamento, em menos de 15 dias recebi um polpudo cheque indenizatório pagando tudo. Com esse cheque, mais o fundo de garantia, mais a casa que morávamos, nos permitiu pagar quase a vista, totalmente, uma linda casa nova de 3 pisos e prontamente nos mudarmos tentando esquecer tão ultrajante evento e o muito desagradável efeito que traumatizou a todos nós. Sentimos muito mesmo a perda algumas joias antigas e lindas que pertenceram a ancestrais portugueses da Lena e outras que dei à ela no correr do casamento. Todas as coisas pessoais, aparelhos eletrodomésticos, som, uma enormidade de discos LP etc. levaram tudo e nenhum vizinho viu nada.
Ficamos com a alma muito ferida. Mas tudo passa. A casa nova, grande e espaçosa, cada um com seu quarto, garagem para 3 carros e confortável dependências de empregada, ajudou a amenizar o ocorrido e como era próximo da casa anterior, os amigos e colegas não se distanciaram nem foram perdidos…
O Percival (Delegado) uns dias depois me avisou que um dos ladrões, bandido conhecido, foi preso, mas não delatou os outros. O cara era tão psicopata e mau que daí uns dias o Percival vem me contar que o tal bandido tinha matado um companheiro de cela, derrubando-o e enfiando no seu ouvido uma caneta Bic que atravessou a massa cerebral, matando-o na hora. Que coisa, né?
Contudo, a verdade é que quando fomos morar em SP, eu passaria de Gerente Regional do RS, PR e SC para Diretor, gostei, mas eu “nunca tirei um pé do Rio Grande” e passados poucos anos não aguentei mais e pedi pra voltar. Voltamos. Fiquei na mesma empresa só que não mais como empregado de carteira assinada, mas como Representante Autônomo. Aposentei-me e mas continuei representando a empresa até 2010.
Agora em 2026 continuamos casados, nossos 3 filhos graduaram-se, fizeram mestrado, PhD (o que me deixou muito orgulhoso) constituíram família e somos felizes avós de 5 netos com 3 já graduados e 2 quase formados.
* Luiz Carlos Sanfelice – lcsanfelice@gmail.com