Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2026

Home Tecnologia Lenovo aposta em “IA pessoal” para enfrentar concorrência das big techs

Compartilhe esta notícia:

“Cada vez mais as pessoas querem usar várias telas: você começa a trabalhar no smartphone, durante um deslocamento usa o tablet, em casa pega o notebook. Isso precisa ser uma experiência única, fluida”, diz Ricardo Bloj,  presidente da Lenovo Brasil, que prevê esse mundo pessoal hiperconectado no curto prazo, a partir do uso de um agente de inteligência artificial (IA) único, sob medida para cada consumidor.

Também dona da Motorola, a Lenovo investe nesta realidade. A multinacional chinesa apresentou a Qira, plataforma de inteligência artificial embarcada em todos os produtos do grupo: PCs (desktops e notebooks), smartphones e acessórios inteligentes, como relógios e pingentes.

Prevista para chegar ao mercado nos próximos meses, a plataforma tem a proposta de acompanhar o usuário de forma contínua entre os diversos aparelhos das marcas Lenovo e Motorola, sem depender de aplicativos ou chatbots como o ChatGPT. A Qira aprende com informações que os usuários aceitam compartilhar a partir dos seus dispositivos digitais, oferecendo uma assistência contextualizada.

O lançamento coloca a chinesa no páreo com as gigantes globais da inteligência artificial, como as big techs Microsoft (Copilot), OpenAI (ChatGPT) e Google (Gemini). A multinacional já é a maior fabricante de computadores do mundo, em disputa acirrada com a americana Dell, mas explora bem mais do que PCs.

Fundada em 1984 em Pequim pelo empresário Liu Chuanzhi e 10 engenheiros, com capital inicial de US$ 25 mil (R$ 134,2 mil), hoje a Lenovo fatura US$ 69 bilhões (R$ 372 bilhões) ao ano e está presente em 180 mercados, com mais de 30 fábricas e 18 laboratórios de pesquisa e desenvolvimento. No primeiro semestre fiscal 2025-2026, encerrado em setembro, a receita atingiu US$ 41,7 bilhões (R$ 224 bilhões).

O Brasil é o seu nono maior mercado, onde mantém três fábricas, um laboratório de P&D e oito centros de pesquisa. No país, atua nas três divisões globais: PCs, servidores e serviços. “Vamos do bolso até a nuvem”, diz Bloj, em referência aos celulares e servidores, respectivamente.

Em 2024 e 2025, o grupo venceu duas licitações da Petrobras, que somam R$ 650 milhões, para fornecer cluster de computação de alto desempenho (HPC). Trata-se de um conjunto de supercomputadores conectados para processar dados sísmicos brutos, a fim de transformá-los em imagens detalhadas do subsolo, algo fundamental para a exploração do pré-sal.

Em pesquisa, soma 54 patentes registradas no país e tem 36 projetos em andamento. Um deles é o monitor cardíaco desenvolvido em parceria com a Fundação Zerbini, ligada ao InCor (Instituto do Coração). Trata-se de um sensor que não apenas mede a arritmia, mas indica propensão a problemas cardíacos, graças a algoritmos de detecção e predição. “Está em fase final de aprovação junto à Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]”, diz Bloj. Segundo ele, a empresa investe ao ano mais de R$ 200 milhões em P&D no país.

O executivo vê espaço para crescer tanto no mercado corporativo, em especial nas pequenas e médias empresas, quanto junto ao consumidor, uma vez que menos de 50% dos lares contam com PCs. No país, mais de 60% do faturamento (não revelado) vêm de produtos voltados à pessoa física, graças ao peso local da Motorola –diferentemente do resto do mundo, onde produtos e serviços às empresas e governos somam cerca de 70% das vendas da Lenovo.

A Qira abre à Lenovo a chance de ampliar as vendas com base em um ecossistema, uma ideia já explorada por rivais como Apple e Samsung, inclusive com a venda de serviços adicionais. A Apple, por exemplo, criou o streaming Apple TV+. Mas a iniciativa da Lenovo vai além ao focar no futuro do próprio negócio.

“Até 2028, mais de 90% dos computadores estarão equipados com inteligência artificial”, diz Bloj, citando estudos da Lenovo. “A novidade agora é que os computadores também vêm com o processador neural, o NPU [unidade de processamento neural], projetado para as cargas de trabalho exigidas pela inteligência artificial.”

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Tecnologia

A fortuna que as empresas gastam com ataques na rede para roubo de dados
Diário atribuído a Hitler mostra que o líder nazista era “apaixonado” por atriz
Deixe seu comentário
Baixe o app da RÁDIO Pampa App Store Google Play
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Pampa News