Domingo, 11 de Janeiro de 2026

Home em foco Líderes da Groenlândia rejeitam ofensiva de Trump por controle da ilha: “Não queremos ser americanos”

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Os líderes dos partidos da Groenlândia rejeitaram os repetidos apelos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que os norte-americanos assumam o controle da ilha, afirmando que o futuro do território deve ser decidido por seu próprio povo.

“Não queremos ser americanos, não queremos ser dinamarqueses, queremos ser groenlandeses”, disseram o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, e outros quatro líderes partidários em comunicado divulgado na noite de sexta-feira (9).

Trump voltou a dizer que gostaria de fechar um acordo para comprar a Groenlândia, uma região semiautônoma que faz parte da Dinamarca, aliada da Otan, “de forma fácil”. Segundo ele, se os EUA não controlarem a ilha, Rússia ou China o farão — e Washington não quer esses países como vizinhos.

“Se não fizermos da forma fácil, vamos fazer da forma difícil”, disse Trump, sem explicar o que isso significaria. A Casa Branca afirmou que está considerando uma série de opções, inclusive o uso de força militar, para anexar o território.

Os líderes partidários reiteraram que “o futuro da Groenlândia deve ser decidido pelo povo groenlandês”.

“Como líderes políticos da Groenlândia, gostaríamos de enfatizar mais uma vez o nosso desejo de que cesse o desrespeito dos Estados Unidos pelo nosso país”, afirma o comunicado.

Autoridades da Dinamarca, da Groenlândia e dos Estados Unidos se reuniram na quinta-feira, em Washington, e devem voltar a se encontrar na próxima semana para discutir a nova ofensiva da Casa Branca pelo controle da ilha.

Trump reconheceu, em entrevista ao New York Times na quinta-feira (8), que talvez tenha de escolher entre preservar a integridade da Otan e controlar o território dinamarquês.

A Dinamarca, incluindo a Groenlândia, é membro da Otan, e um eventual ataque americano a qualquer país da Aliança significaria “o fim de tudo”, alertou a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen. Trump, por outro lado, disse que estava disposto a sacrificar a aliança militar para conquistar o território.

Segundo o comunicado, “o trabalho sobre o futuro da Groenlândia ocorre em diálogo com o povo groenlandês e é conduzido com base no direito internacional”.

“Nenhum outro país pode interferir nisso”, diz o texto. “Devemos decidir o futuro do nosso país sozinhos, sem pressão por decisões rápidas, adiamentos ou interferência de outros países.”

O documento foi assinado por Nielsen, Pele Broberg, Múte B. Egede, Aleqa Hammond e Aqqalu C. Jerimiassen.

Não está claro como os demais membros da Otan reagiriam caso os EUA decidissem assumir o controle da ilha à força ou se prestariam apoio à Dinamarca. Com informações da RFI e g1.

 

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