Terça-feira, 17 de Maio de 2022

Home Variedades Ligação de Penélope Cruz com Almodóvar surgiu antes mesmo de eles se conhecerem

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Você pode imaginar como Penélope Cruz reagiu a seu primeiro telefonema com Pedro Almodóvar. Quando ainda era jovem, em Madri, ela assistia sem parar a fitas Betamax de seus filmes, esperando que o autor espanhol pudesse encontrar algum lugar para ela no seu mundo brilhante e ousado. Ela sonhava tanto com isso que no dia em que ele ligou para falar de um papel, nem parecia a primeira ligação – parecia a décima ou a centésima, um telefonema de alguém que ela já conhecia muito bem.

Esse vínculo ainda foi confirmado quando Almodóvar a convidou para ir a seu apartamento para ler as cenas. Cruz ainda era uma atriz inexperiente – o ano era 1992, e seus dois primeiros filmes, Jamón Jamón e Belle Époque, tinham acabado de sair – mas lendo as falas com o já estabelecido Almodóvar na sua cozinha, sua conexão era a mais natural possível.

“É difícil explicar sem parecer estranho”, ela me disse, “mas nos conhecemos bem, conseguimos sentir o que o outro está sentindo, ler a mente um do outro”.

Cruz não está brincando quanto a esta última parte: quando se trata de Almodóvar, ela afirma possuir uma intuição quase mística. Ele não a escalou naquele primeiro encontro – o papel era para uma mulher de 35 anos, e ela tinha apenas 18 – mas, nos anos seguintes, ela continuou sonhando com Almodóvar, imaginando onde ele poderia estar em Madri. Então ela ia ao teatro ou à boate onde o havia imaginado e lá, entre silhuetas muito mais convencionais, ela avistava seu distintivo tufo de cabelo.

O que você faz quando sente uma conexão natural e, ao mesmo tempo, sobrenatural? Bom, se você é Cruz e Almodóvar, acaba cedendo e fazendo sete filmes juntos. Seu mais recente longa, Mães Paralelas, também é um dos maiores, estrelando Cruz no papel de uma mãe que tem de lidar com um segredo terrível. Sua atuação bem calibrada ganhou a Volpi Cup no Festival de Cinema de Veneza e prêmios de melhor atriz da Los Angeles Film Critics Association e da National Society of Film Critics; o filme também pode render a Cruz, hoje aos 47 anos e vencedora do Oscar por Vicky Cristina Barcelona, sua quarta indicação da Academia.

Mandei um e-mail para Almodóvar para perguntar o que ele achava das visões de bruxa de Cruz e, de início, ele ficou tentado a desmascará-las: na época em que se conheceram, todos os seus movimentos eram bem conhecidos em Madri e não era difícil encontrá-lo. Ainda assim, disse ele, o estranho poder de Cruz provou ser a chave para sua relação de trabalho.

“Penélope tem uma fé cega em mim”, escreveu Almodóvar num longo e-mail. “Ela está convencida de que sou um diretor e escritor melhor do que realmente sou. Essa fé cega me enche de confiança para pedir qualquer coisa a ela, enquanto a confiança que ela deposita em mim permite que durante as filmagens ela faça coisas que ela não ousaria tentar com outros diretores, porque ela sabe que eu a estou observando como se por mil olhos”.

“Mas sim”, ele acrescentou, “ela às vezes é meio bruxa”.

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