Segunda-feira, 15 de Agosto de 2022

Home Economia Lucro dos quatro maiores bancos brasileiros subiu 17,7% no 1º trimestre

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Apesar de as fintechs terem conquistado cada vez mais clientes, os quatro maiores bancos de capital aberto do Brasil tiveram lucros no primeiro trimestre de 2022 que surpreenderam o mercado, posicionando-se de forma sólida entre investidores em um cenário econômico marcado por incertezas internas e externas.

Entre janeiro e março deste ano, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Itaú lucraram, juntos, R$ 24,8 bilhões, alta de 17,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

Para Mario Goulart, analista da 02Research, o mercado está “voltando à realidade”. “Tivemos esse período de um entusiasmo sem sentido, com a ideia de que os bancos digitais acabariam com os tradicionais porque eles captam mais clientes e não têm custos. O que estamos vendo nos últimos resultados, não é bem isso”, diz o analista.

Foi um resultado bem acima do esperado, com grande melhora na rentabilidade dos “bancões”, afirma Felipe Moura, analista de investimentos da Finacap. Segundo ele, havia expectativa de que as grandes instituições financeiras não conseguissem retomar, no médio prazo, a rentabilidade patrimonial (ROE) que tinham antes da pandemia. O ROE mede o quanto de lucro uma companhia gera a partir do capital investido pelos acionistas.

Historicamente, segundo o analista da Finacap, essa métrica estava em 18%. No último resultado, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Itaú apresentavam retorno anualizado de 17,6%, 18%, 20,7% e 20,4%, respectivamente. Ou seja: os resultados ficaram em linha ou acima do patamar considerado ideal pelo mercado, destaca Moura.

Para o analista da 02Research, o número de clientes pessoa física – métrica muito perseguida pelos bancos digitais – é pouco importante para o balanço das maiores instituições financeiras. “A carteira de crédito e o crédito de pessoa jurídica são mais relevantes. Nesse aspecto, os bancões continuam nadando de braçada. Isso é um relacionamento com o cliente construído ao longo de décadas”, diz.

Destaque

João Daronco, analista da Suno Research, também avalia os resultados dos grandes bancos como sólidos, com crescimento da carteira de crédito e expansão do lucro. O principal destaque, na visão dele, é o Banco do Brasil (BB), que registrou um lucro líquido no primeiro trimestre de R$ 6,6 bilhões (alta de 57,6% ante o mesmo período do ano passado).

O resultado do Banco do Brasil também foi o que mais surpreendeu a Genial Investimentos. A casa reiterou a recomendação de compra para os papéis, com preço-alvo de R$ 44, o que representa potencial de alta de 18,9% em relação ao fechamento da última sexta-feira (20), de R$ 37.

É importante lembrar que as ações do banco público vinham sendo preteridas principalmente por conta de riscos políticos. Os resultados, porém, revelaram que a empresa mais antiga da Bolsa e a primeira instituição financeira do País está de volta ao jogo. “Barato e com melhor desempenho”, define a Genial, lembrando que os retornos do banco vieram muito perto dos vistos em seus pares privados.

A Genial destaca, em relatório que o resultado do BB superou “em mais de 11% as nossas expectativas e em 20% as expectativas do mercado”. “Do lado negativo, o ambiente eleitoral de 2022 pode trazer volatilidade a cotação, dado o risco político”, pondera a casa de investimentos. Os papéis do Banco do Brasil acumulam a maior alta entre os grandes bancos brasileiros desde o início de 2022, de 32,25%.

Outros bancos

Entre as outras instituições, os resultados do Bradesco foram considerados em linha com as expectativas, segundo a Genial, com recomendação de compra. A corretora manteve recomendação para o Itaú, apesar de o resultado ter sido considerado mais “morno”, com margens financeiras mais apertadas.

Na ponta menos otimista, ficaram os papéis do Santander. A Genial tem recomendação de “manter” os ativos. O resultado veio pior do que o esperado, pelo aumento das provisões para calotes e baixo crescimento da margem financeira.

A visão menos positiva para o Santander é compartilhada pela Ativa Investimentos. “Apesar de ainda vermos valor na tese de investimento dos bancos tradicionais brasileiros, consideramos os demais pares privados como opções mais interessantes de alocação do que Santander”, afirma a casa, em relatório.

Segundo analistas, balanço do Santander foi o mais fraco entre os ‘bancões’ no 1º trimestre

Digitalização

Os resultados considerados positivos, no geral, são um sinal de que as instituições financeiras tradicionais estão se movendo para acompanhar as mudanças de mercado. “Os bancos tradicionais tomaram diversas medidas para preservar margens. Eles fecharam cerca de 2,5 mil agências no Brasil, em um movimento de digitalizar o atendimento e ganhar eficiência. Os bancões não estão parados”, diz Moura, da Finacap.

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