Quarta-feira, 08 de Julho de 2026

Home em foco Lula afaga José Dirceu e agradece pelo apoio recebido enquanto estava na prisão

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou a comemoração de 43 anos do PT na última segunda-feira (13), em Brasília (DF) para mandar recados ao antecessor, Jair Bolsonaro – chamado de genocida –, defender um processo de “limpeza” na máquina pública e enaltecer lideranças do partido atingidas por escândalos de corrupção, como o ex-ministro José Dirceu. Condenado e preso no mensalão e na Operação Lava-Jato, Dirceu ocupou um assento ao fundo no palco e foi citado nominalmente por Lula.

“Companheiro Zé Dirceu, agradecer você, porque eu sei o quanto você foi solidário ao que eu passei”, afirmou Lula.

O presidente voltou a citar o período de 580 dias que passou na cadeia em Curitiba, por causa dos processos da Lava-Jato que respondeu, e agradeceu a solidariedade de Dirceu, também ex-deputado e ex-presidente do PT, que ficou preso na carceragem da Polícia Federal (PF) por acusações de corrupção.

Lula demonstrou gratidão ainda aos militantes petistas que montaram uma vigília ao lado do cárcere em Curitiba (PR) e que “enfrentaram chuva, sol e provocação da Polícia Federal”, afirmou o presidente. Por suspeição do ex-juiz Sérgio Moro, os processos contra Lula fora anulados no Supremo, o que permitiu que ele disputasse e vencesse as eleições presidenciais do ano passado contra Bolsonaro.

“Tudo que nós fizemos em 13 anos de governo do PT foi destruído em 6 anos depois do golpe e depois do último mandato de quatro anos do genocida, que haverá de ser julgado pela quantidade de pessoas que morreram inocentes nesse País”, afirmou o presidente da República, citando o aumento de pessoas em situação de rua e a crise humanitária do povo indígena ianomâmi. “Vamos brigar pelo nosso partido e pelo povo brasileiro para que nunca mais um genocida ganhe as eleições com base na indústria da mentira.”

“Um dos melhores momentos desse País foi no meu governo, onde banqueiro ganhou, empresário ganhou e trabalhador ganhou. E agora eles dizem ‘que Lula vai voltar’? Vai voltar o Lula que a dona Lindu pariu para governar esse País da forma que o País precisa ser governado”, disse.

No ato público, Lula subiu ao palco com traje mais de líder político do que presidente. Ele deixou de lado assuntos de governo, sobretudo na esfera econômica, como as críticas à cobrança por responsabilidade fiscal, e terceirizou a ofensiva à taxa básica de juros e ao Banco Central para a presidente do partido, Gleisi Hoffmann.

Lula voltou a reclamar da quantidade de dinheiro público que o ex-presidente entregou durante as eleições e disse que Bolsonaro não esperava ser derrotado. Ele disse que vai “levar um tempo” para organizar o governo e reconheceu a necessidade de “fazer mais” do que nos três mandatos anteriores do PT. O petista criticou a herança bolsonarista.

“Se a gente fizer menos, será muito ruim para o futuro do nosso partido. Mas vocês precisam compreender que recebemos um País em 2023 muito pior do que em 2003. Muito mais incivilizada a sua máquina pública, muito mais gente que não tem direito e que entrou nessa máquina pública e vamos levar um tempo para fazer um processo de limpeza, fazer com que pessoas que pregam ódio, que vivem xingando e ofendendo as pessoas na rua sejam isoladas da sociedade brasileira”, afirmou o presidente.

Lula discursou diante de uma faixa que pedia: “Golpistas na cadeia. Punição aos crimes eleitorais”. Lula já havia defendido a “desmilitarização” e a “desbolsonarização” do governo e do Palácio do Planalto, mas ministros envolvidos no pente fino negavam um processo de “higienização” com viés ideológico. Embora tenha escancarado a “limpeza”, Lula disse que o PT voltou ao Planalto “sem ódio e sem rancor”.

Segundo o líder do PT, os fundadores do partido eram cobrados e precisavam explicar, ao longo de anos, por que a bandeira era vermelha, o motivo de usarem barba e a razão de o símbolo da sigla ser uma estrela.

Diante dos questionamentos sobre qual versão de si voltou ao poder, respondeu que se trata do Lula “que não pode esquecer suas origens”. Emotivo, afirmou que viveu repartindo espaço “com rato e barata”, que “passou fome e comeu pão pela primeira vez ao sete anos de idade” e que não vai permitir mais que crianças morram de fome no Brasil.

Lula assinou autorização para contribuição ao PT por meio de débito em conta corrente. O valor não foi divulgado. Mas pelo estatuto petista os ocupantes de cargos públicos devem contribuir com o cofre da legenda. Lula pediu que outros militantes doem para que o partido mostre a diferença e não fique dependente dos fundos partidário e eleitoral, sujeitos à fiscalização de contas nas cortes superiores. “Temos que ter o fundo da moral, da ética e da vergonha”, afirmou Lula.

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