Segunda-feira, 05 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 3 de janeiro de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega ao último ano do mandato trajando figurino de candidato, e tentando convencer os brasileiros de que, aos 80 anos, merece governar o País pela quarta vez. Aprovado por metade da população e rejeitado pela outra, ele concorrerá em meio à resiliência do bolsonarismo e ao avanço da ultradireita na América Latina.
Na seara econômica, a disputa se dará em meio a preocupações do mercado com o risco de descontrole dos gastos públicos e o crescimento da dívida, em uma conjuntura na qual dados positivos da economia e dos programas sociais já não seduzem o eleitor como no passado.
Lula caminha para enfrentar, talvez, a mais desafiadora das campanhas. É com esse espírito que a equipe de criativos do presidente embalou a mensagem que tentará incutir no imaginário da população até as eleições.
“O Brasil venceu”, dirá Lula, em tom de superação, ao enumerar os reveses que não atribuirá ao governo, mas aos brasileiros, relembrando os atos golpistas de 8 de janeiro, no primeiro ano da gestão, o tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a inflação dos alimentos.
Uma das crises, exaltará, foi contornada e culminou com a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, em decisão inédita da Justiça brasileira. Outros desfechos positivos foram o estabelecimento de relações cordiais com Trump, até então visto como aliado de Bolsonaro, e o controle da inflação. O desafio será convencer a população de que a vitória do Brasil será completa se ele triunfar nas urnas, em outubro, pela quarta vez.
Responsável por políticas consolidadas como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida (MCMV), mas com novos programas, como o Pé-de-Meia, ainda não tão conhecidos, Lula chega à reta final ainda sem uma grande marca da gestão atual para exibir na campanha eleitoral. A aposta, segundo fontes a par dessa discussão, será investir na defesa da reforma da renda, com o imposto zero para quem ganha até R$ 5 mil, como principal legado do terceiro mandato.
Ao mesmo tempo, o governo vai turbinar a palavra de ordem levada às ruas e às redes sociais de que “ricos pagam mais [impostos], pobres pagam menos”. A benesse, entretanto, ainda não é a mais popular.
Programas populares
Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada no dia 16, o MCMV, tocado pelo Ministério das Cidades, é a política com aprovação de 90% dos entrevistados, e desconhecida por somente 2%. O ministro Jader Filho, que começou 2023 com a meta de fechar 2 milhões de contratos, atingiu o objetivo, e pretende alcançar 3 milhões no fim de 2026. Ele alega que o programa reergueu a construção civil, que passou a alavancar o Produto Interno Bruto (PIB), junto com o agronegócio.
Na mesma Quaest, em segundo lugar, aparece o Farmácia Popular, de distribuição de remédios gratuitos, aprovado por 87%. O imposto zero para a faixa de até R$ 5 mil surge somente em sexto lugar na relação dos programas mais bem avaliados, ficando atrás da isenção da conta de luz, do Gás do Povo e do Bolsa Familia. É aprovado por 69% da população, e segue desconhecido por 19% dos entrevistados.
A percepção de auxiliares e de aliados é de que Lula terá de se metamorfosear mais uma vez para impedir os eleitores de se bandearem para a oposição. Foi o que ele sinalizou em fala recente: “Quem é o sistema no Brasil? Sou eu ou o sistema é aqueles que negam o sistema?”, questionou.
“Eu ainda não tenho ninguém do Prouni en instância superior do Poder Judiciário, os meninos das cotas que fizeram universidade não estão em nenhuma instância de Poder, então, o sistema são eles”, provocou, em café com jornalistas no Palácio do Planalto. Segundo una fonte do governo, a fórmula de candidato “antissistema” deverá ser aplicada por Lula na campanha, figurino já vestido por Jair Bolsonaro em 2018.
Segurança
Um desafio que já se abateu sobre o governo será o debate com a oposição sobre segurança pública. Cientistas políticos, como Antonio Lavareda, descartam que a pauta possa ser predominante na campanha de 2026, porque economia e valores na área de costumes tendem a prevalecer. Mas auxiliares de Lula admitem preocupação com o tema.
O governo investirá no argumento de que o crime deve ser combatido por cima, tendo como alvo as cúpulas, recorrendo a inteligência policial para rastrear o dinheiro de lavagem, sonegação e fraudes, como se deu com a Operação Carbono.
Em paralelo, levantamentos internos da equipe de comunicação detectaram melhora na popularidade depois que Lula condenou o aumento dos feminicídios no país, e prometeu ações para combater a escalada do crime contra as mulheres. As informações são do Valor Econômico.