Sábado, 17 de Outubro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 16 de outubro de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou nesta quinta-feira (15) em entrevista à Globo ser favorável à redução da maioridade penal no caso de crimes hediondos, como homicídio qualificado, latrocínio e estupro.
Atualmente, a maioridade é de 18 anos, e Lula defendeu que ela caia para 16 anos em algumas situações. O tema está em discussão no Congresso.
“Eu sou favorável a reduzir para 16 [anos], mas não discutindo nessa PEC. Essa PEC não é para discutir isso. Primeiro você discute a PEC, aprova a PEC, e aí você pode discutir a maioridade penal ou não.”
Lula foi questionado ainda sobre suspeitas de envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro, dono do Master e atualmente preso. O presidente defendeu que os ministros citados sejam investigados.
“Nem os ministros da Suprema Corte estão isentos de passar para a sociedade a ideia de ética, a ideia de probidade. Ou seja, não é possível que apareçam na Suprema Corte tantas denúncias. A sociedade brasileira precisa que isso seja apurado. Eu já conversei três vezes com o presidente [do STF, Edson] Fachin, dizendo que é importante que ele, enquanto for presidente, faça a apuração que tiver que fazer e que julgue.”
Lula afirmou ainda que o ministro Alexandre de Moraes “era o mais implicado” com Vorcaro quando o caso foi debatido em uma sessão do Supremo em setembro e citou relações de outros magistrados com o ex-banqueiro.
“O (Dias) Toffoli também está implicado, o André Mendonça também está implicado e o Kássio (Nunes Marques) está implicado. Agora está todo mundo implicado”, disse.
Para o presidente, “não é possível imaginar que a sociedade brasileira vai aceitar que não seja apurado tudo e sobre tudo e que não fique pedra sobre pedra e se puna quem precisar punir”.
Sobre a relação do Brasil com os Estados Unidos, Lula disse apostar na negociação comercial e não descartou adotar medidas de reciprocidade para fazer frente às impostas por Donald Trump.
“Não quero fazer. Eu quero continuar negociando. Mas, se for necessário fazer, nós vamos fazer”, disse.
Lula afirmou que, apesar das tensões iniciais com o governo americano e dos tarifaços aplicados ao Brasil em 2025 e 2026, conseguiu estabelecer uma relação civilizada com Trump e que os dois já tiveram três conversas.
Segundo Lula, representantes dos dois governos continuaram negociando, e ele acredita que será possível chegar a um acordo.
O presidente destacou que o Brasil ampliou suas relações comerciais com outros países, apesar da queda de 9% no comércio com os Estados Unidos.
Responsabilidade
Lula assumiu a responsabilidade por dificuldades enfrentadas pelo seu governo. Questionado sobre o que teria feito de maneira diferente, o presidente afirmou que não poderia atribuir a culpa a outras pessoas.
“Se eu não conseguir ser compreendido pela sociedade brasileira sobre o que o governo faz, eu não posso ficar jogando a culpa em ninguém. Eu tenho que jogar a culpa em mim”, disse.
Lula avaliou que parte das dificuldades enfrentadas por sua gestão esteve relacionada à situação em que encontrou o país ao assumir a Presidência, depois do governo de Jair Bolsonaro (PL).
O presidente afirmou que precisou dedicar os primeiros dois anos à recuperação do país e citou o que classificou como desmonte de dez ministérios.
“Eu só lamento que eu não tenha tido a capacidade de fazer o povo compreender as coisas que eu fiz, porque foram muitas coisas”, afirmou.
Governabilidade e Congresso
Outro assunto abordado foi a governabilidade de um eventual próximo mandato do PT diante do novo Congresso: o PL elegeu 121 deputados federais e 19 senadores.
O presidente focou sua resposta nos números da esquerda, afirmando que, para o seu governo atual, foi eleito com 70 deputados e 9 senadores. Segundo ele, com essa composição, conseguiu aprovar “99% de tudo” que fizeram no Congresso, incluindo a reforma tributária.
Lula também disse que, com exceção do PL, todos os partidos participaram do seu governo. “Tivemos uma grande participação das pessoas no governo. É por isso que nós conseguimos aprovar tudo. E se não for assim, você não governa o país”, disse. (Com informações do portal de notícias g1)