Terça-feira, 20 de Outubro de 2026

Home Política Lula diz que vai vencer os Estados Unidos na narrativa e que o Brasil iniciou reciprocidade para mostrar que o País “não é pouca coisa”

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil vai “vencer os Estados Unidos na narrativa” ao defender a adoção de medidas de reciprocidade diante das tarifas impostas pelo governo norte-americano a produtos brasileiros. Segundo o presidente, a iniciativa busca demonstrar que o Brasil exige tratamento equivalente nas relações internacionais e que a lei serve para mostrar que o Brasil “não é qualquer coisa”.

Na quinta-feira (13), o governo brasileiro informou ter iniciado o processo para aplicar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos em resposta às tarifas adotadas pelo governo de Donald Trump. A legislação permite que o Brasil aplique medidas semelhantes às impostas por outro país quando houver tratamento considerado desfavorável.

Ao comentar a medida, Lula afirmou que o objetivo não é provocar uma escalada nas tensões entre os dois países. “Não quero guerra, eu quero discutir com seriedade”, declarou. Segundo o presidente, embora o Brasil não tenha o mesmo poderio militar dos Estados Unidos, possui argumentos para contestar as medidas adotadas pelo governo norte-americano.

Lula também afirmou que parte das decisões dos Estados Unidos contra o Brasil foi baseada, segundo ele, em informações falsas. “Eles taxaram o Brasil com base em mentira”, disse. Em outro momento, acrescentou: “Com mentiras, ninguém ganha do Brasil”.

O presidente atribuiu parte das tensões a integrantes do governo norte-americano que, segundo ele, mantêm posições hostis em relação ao Brasil e à América Latina. Lula afirmou que pretende responder às acusações por meio da defesa dos interesses brasileiros e da apresentação dos argumentos do país nas negociações.

Durante a entrevista, Lula também criticou justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para adotar restrições comerciais contra o Brasil. O presidente contestou alegações relacionadas à compra de produtos provenientes de trabalho escravo e ao combate ao desmatamento.

As declarações foram dadas durante entrevista aos podcasts “Não Inviabilize” e “As Cunhãs”, em encontro realizado no Palácio da Alvorada.

Apesar das divergências, Lula afirmou que pretende manter uma relação institucional com Donald Trump e disse que busca uma conversa direta com o presidente norte-americano. Segundo o petista, os dois mantêm um tratamento respeitoso e devem preservar o diálogo entre Brasil e Estados Unidos.

Lula afirmou que gostaria de ter uma conversa “tête-à-tête” com Trump para discutir as questões que envolvem os dois países. Entre os assuntos que pretende abordar está a atuação dos Estados Unidos em temas internos brasileiros.

O presidente disse que pretende pedir a Trump que não interfira em assuntos relacionados ao Brasil, especialmente no processo eleitoral. “Eu nunca me meti nas eleições deles. Por que ele vai se meter aqui?”, questionou.

Segundo Lula, a defesa da soberania brasileira deve ocorrer por meio do diálogo e da apresentação dos interesses do país, sem que isso resulte em um agravamento do conflito diplomático e comercial com os Estados Unidos.

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