Domingo, 22 de Maio de 2022

Home em foco Lula explica por que ainda não confirmou Alckmin como vice

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que ainda não confirma o ex-governador Geraldo Alckmin como vice-presidente em sua chapa da pré-candidatura à Presidência porque ele ainda não está filiado a um partido e, antes, negocia uma coalizão com partidos para a disputa na eleição de 2022.

“As conversas estão andando”, disse Lula, em entrevista à rádio Liberal, do Pará. “Espero que o Alckmin se defina por um partido que esteja na base de apoio à nossa candidatura para que a gente possa trabalhar e anunciar um nome.”

Questionado se participaria de um debate com o presidente Jair Bolsonaro e o ex-juiz Sérgio Moro, Lula disse que tem intenção de participar “de debate contra qualquer candidato que estiver na disputa”. O ex-presidente sugeriu a possibilidade de um “pool” de televisão para fazer dois ou três debates com todos os candidatos.

O petista dá como certa a aliança com Alckmin como vice na chapa, mas procura um partido que possa ajudar na tarefa, caso as negociações com o PSB não avancem.

Passado

“Não existe a menor chance de aliança com o PT. Vou disputar e vencer o segundo turno, para recuperar os empregos que eles destruíram saqueando o Brasil. Jamais terão meu apoio para voltar à cena do crime.”

A frase de pouco mais de três anos atrás dita por Geraldo Alckmin contrasta com o abraço que o então candidato ao Planalto em 2018 deu no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recentemente.

Alckmin, que deixou o PSDB após mais de 33 anos, apareceu publicamente com Lula em um jantar promovido por advogados. O evento foi visto pelo mundo político como mais que uma simples reconciliação: estão a todo vapor as articulações para o petista ter Alckmin como companheiro de chapa pela disputa à Presidência em 2022.

O encontro no jantar revela uma relação bem diferente entre Lula e Alckmin, marcada por um histórico de críticas e embates nas últimas décadas. Relembre alguns:

Escândalos

Lula e Alckmin se enfrentaram diretamente em debates na disputa eleitoral de 2006, quando o petista tentava se reeleger e Alckmin era o candidato tucano ao Planalto.

No debate promovido pela RecordTV naquele ano, Alckmin afirmou que o governo Lula tinha duas marcas, “parado na economia e acelerado nos escândalos”. Ele fazia referência ao Mensalão, escândalo de corrupção que explodiu no ano anterior, em que o governo Lula foi acusado de pagar congressistas em troca de votos.

Alckmin questionou Lula sobre as acusações. Afirmou que o governo dele tinha “cinco ministros denunciados pelo Ministério Público, pela Justiça ou pela polícia”. “É coincidência tudo isso?”, perguntou.

No debate da Band, ainda em 2006, o petista questionou Alckmin sobre uma suposta acusação de corrupção contra Barjas Negri, ex-ministro da Saúde no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), envolvendo irregularidades na pasta.

“Logo que deixou o ministério, o senhor Barjas Negri se tornou seu secretário de Educação. Me diga uma coisa, o senhor sabia ou não sabia das transações obscuras do senhor Barjas Negri quando o convidou?”, questionou. Alckmin respondeu que não tinha em seu governo secretários indiciados por corrupção.

Alckmin afirmou que “quem não tem moral para falar de ética é o governo Lula”, e foi questionado sobre CPIs pela Assembleia Legislativa de São Paulo ligadas à gestão do político. “69 pedidos de CPIs foram engavetados. A que preço eu não sei”, afirmou o petista.

Outros

Também no debate presidencial da Band de 2006, Alckmin questionou Lula sobre a apreensão de R$ 1,75 milhão pela Polícia Federal que supostamente seria usado pelo PT para elaborar um dossiê contra o PSDB.

Em resposta, Lula disse: “não sou policial, sou presidente da República”. O petista afirmou ainda que “possivelmente o governador ainda tenha saudade do tempo da tortura, porque em meia hora de prisão já se sabia quem era o mandante do crime”.

Em embates sucessivos, Lula e Alckmin criticaram suas respectivas políticas de segurança pública.

“O governo Lula se omitiu e abriu mão da segurança pública. Levou quatro anos para fazer um presídio que só tem 30 presos”, afirmou Alckmin em visita a uma feira de agronegócio na campanha de 2006, um dia após a Polícia Federal ter descoberto e prendido um grupo de 29 pessoas que cavavam um túnel que daria acesso aos cofres de dois bancos no centro de Porto Alegre.

A campanha do petista, por outro lado, centrava as críticas sobre os índices de violência em São Paulo, com a expansão da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). “Todos sabem que São Paulo ficou vários dias sob o comando do PCC”, afirmou na reta final da campanha o então presidente do PT, Marco Aurélio Garcia.

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