Quarta-feira, 07 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 4 de janeiro de 2026
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, comunicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na semana passada, a intenção de deixar o cargo que ocupa na Esplanada dos Ministérios. A conversa entre os dois ocorreu no dia 23, no Palácio do Planalto, quando Lewandowski afirmou que seu ciclo no governo petista havia chegado ao fim. Diante da decisão do auxiliar, Lula solicitou “alguns dias” para definir quem será o novo responsável pela pasta.
A saída do titular do ministério ocorre em um contexto de pressões internas e de desgaste político. Lewandowski vinha sendo alvo, há algum tempo, de críticas dentro do próprio governo, em um movimento classificado por integrantes do Executivo como “fogo amigo”. Os ataques se intensificaram a partir do segundo semestre, em meio ao agravamento da crise de segurança pública registrada em diferentes regiões do país.
Desde então, uma ala do Partido dos Trabalhadores e de partidos aliados no Executivo federal passou a defender publicamente o desmembramento do Ministério da Justiça. A proposta prevê a criação de um ministério exclusivo para tratar da segurança pública, o chamado Ministério da Segurança Pública. Essa sugestão, segundo interlocutores do Planalto, sempre veio acompanhada de críticas indiretas à condução da área por Lewandowski.
No dia 17 de dezembro, Lula cedeu à pressão interna e anunciou, durante reunião ministerial realizada na Granja do Torto, a intenção de criar a nova pasta dedicada à segurança pública. A medida, no entanto, depende da aprovação, pelo Congresso Nacional, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que redefine atribuições e competências na área.
A criação do ministério é uma promessa antiga de campanha do presidente, que vinha sendo adiada desde o início do atual mandato. Na avaliação de auxiliares do governo, a decisão tem também um componente político, uma vez que o tema da segurança pública tende a ganhar ainda mais destaque no debate nacional em 2026, ano da próxima eleição presidencial. Na prática, a expectativa é que a nova pasta seja efetivamente instalada apenas nesse período.
“Depois que aprovar a PEC da segurança, vamos criar o Ministério da Segurança Pública”, afirmou o presidente da República durante a reunião com seus ministros. Na mesma ocasião, Lula orientou a equipe econômica a buscar alternativas no Orçamento para viabilizar a estruturação do novo ministério.
Segundo o presidente, os recursos atualmente destinados à área são insuficientes. Na avaliação de Lula, a segurança pública dispõe hoje de uma “merreca de dinheiro”, o que limita a capacidade de atuação do governo federal. “Não é com essa merreca de dinheiro que temos hoje que vamos criar o Ministério da Segurança Pública”, declarou.
A eventual saída de Lewandowski, somada à reorganização administrativa proposta pelo governo, abre espaço para uma nova configuração institucional na área de segurança, tema considerado sensível e estratégico pelo Palácio do Planalto. (Com informações do Valor Econômico)