Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 17 de fevereiro de 2026
O presidente da França, Emmanuel Macron, pediu uma reunião bilateral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O encontro pode ocorrer nos próximos dias durante a participação dos dois líderes na cúpula sobre inteligência artificial realizada em Nova Déli, na Índia. A audiência, prevista para a passagem do petista pela capital indiana entre 18 e 22 de fevereiro, ainda não está oficialmente confirmada. O pedido chegou ao Itamaraty por meio da Embaixada da França em Brasília.
A pasta declarou, em conversas com jornalistas na última quinta-feira (12), que o governo brasileiro recebeu pedidos de diversas reuniões bilaterais à margem do evento, ao mesmo tempo em que também encaminhou convites a outros chefes de Estado e de governo.
Os dois presidentes viajam ao país asiático a convite do primeiro-ministro Narendra Modi para uma visita de Estado e para participar do fórum internacional sobre inteligência artificial, que terá como foco regulamentação da tecnologia, soberania digital, segurança de dados e governança global do setor.
A expectativa é que o evento reúna líderes políticos, executivos de grandes empresas de tecnologia e representantes de organismos multilaterais, em meio ao debate crescente sobre supervisão de plataformas digitais, responsabilidade das big techs e impactos da IA na economia e na segurança internacional.
A tendência é que os presidentes deem continuidade à última conversa por telefone, realizada no fim de janeiro, e retomem pautas abordadas durante a visita de Estado de Lula à França, em junho do ano passado. Na ocasião, Macron afirmou que o Brasil tem um papel importante a desempenhar para o fim da Guerra da Ucrânia. O governo Lula tem sido pressionado por atores internacionais em decorrência da relação que mantém com o presidente da Rússia, Vladimir Putin.
Já no último telefonema, os presidentes discutiram a proposta apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criação de um “Conselho da Paz”, um fórum alternativo para tratar de conflitos internacionais e coordenar iniciativas de mediação fora das estruturas tradicionais da ONU.
Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, Lula e Macron defenderam a centralidade das Nações Unidas e do Conselho de Segurança como instâncias legítimas para a mediação de crises e a manutenção da paz. Ambos ressaltaram a importância do respeito ao direito internacional e à Carta da organização como base para qualquer iniciativa voltada à resolução de conflitos.
A França já recusou o convite americano para integrar o novo fórum. O Brasil ainda não respondeu formalmente, mas Lula tem sinalizado que não pretende aderir à iniciativa. A possível conversa em Nova Déli ocorre também em um momento decisivo nas negociações comerciais entre Mercosul e União Europeia. Após 26 anos de tratativas, o acordo de livre-comércio entre os dois blocos foi assinado em dezembro. Trata-se do maior acordo comercial do gênero no mundo, reunindo um mercado estimado em 722 milhões de consumidores e cerca de um quarto do PIB (Produto Interno Bruto) global.
Apesar da assinatura, o tratado ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos nacionais dos países envolvidos e pelo Parlamento Europeu antes de entrar em vigor. Nesta quarta-feira (21), o Parlamento Europeu aprovou o envio do texto para revisão jurídica pelo Tribunal de Justiça da União Europeia, movimento que pode adiar sua implementação.
O acordo enfrenta resistências especialmente na França, onde produtores rurais e setores industriais pressionam o governo contra a abertura do mercado europeu a produtos agrícolas sul-americanos. Macron tem adotado postura cautelosa, defendendo salvaguardas ambientais e garantias adicionais. Já Lula tem reiterado que considera o tratado estratégico para ambos os blocos e para a defesa do multilateralismo e de um comércio internacional baseado em regras. (Com informações do jornal Folha de S.Paulo)