Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2026

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Submarinos equipados com ogivas nucleares patrulham discretamente os oceanos como parte da estratégia de dissuasão da França — um recurso extremo, a ser utilizado apenas se o presidente autorizar. É nesse contexto que o presidente francês, Emmanuel Macron, deve atualizar na próxima segunda-feira (2) o posicionamento do país sobre o eventual uso de armas nucleares lançadas por submarinos e aeronaves.

Macron é a autoridade máxima com poder para acionar o arsenal nuclear francês. O anúncio ocorre em meio ao aumento das preocupações na Europa de que a guerra iniciada pela Rússia na Ucrânia possa se expandir, além das incertezas sobre o grau de comprometimento dos Estados Unidos com a defesa de seus aliados europeus, especialmente sob a liderança do presidente Donald Trump.

Desde a década de 1950, parte da segurança europeia esteve amparada pelo guarda-chuva nuclear americano, com armas posicionadas no continente para conter ameaças da antiga União Soviética e, posteriormente, da Rússia. Nos últimos anos, porém, políticos e analistas de defesa passaram a questionar se Washington manteria a mesma disposição de empregar seu arsenal em defesa da Europa em um cenário extremo.

Nesse cenário, a França ganha protagonismo. O país é o único integrante da União Europeia com armas nucleares próprias. Qualquer sinalização de mudança em sua política de dissuasão é acompanhada de perto por aliados e potenciais adversários.

Eventuais ajustes na estratégia francesa podem estar entre as decisões mais relevantes de Macron nos 14 meses restantes de seu mandato, antes das eleições presidenciais previstas para 2027.

A decisão de tratar publicamente do tema, em um dos principais discursos de defesa desde que assumiu o cargo em 2017, indica a preocupação do presidente com as transformações geopolíticas e tecnológicas que afetam a segurança da França e do continente.

Entre os que manifestam dúvidas sobre a confiabilidade dos Estados Unidos está Rasmus Jarlov, presidente da Comissão de Defesa do Parlamento da Dinamarca. Em entrevista à Associated Press, ele afirmou que é arriscado presumir que os EUA colocariam suas próprias cidades em risco para proteger países europeus em uma situação extrema.

Segundo Jarlov, diante desse cenário, cresce o interesse em garantias francesas de segurança. Ele chegou a defender que, no longo prazo, outras nações europeias discutam a possibilidade de desenvolver capacidade nuclear própria — hipótese que, até pouco tempo atrás, era considerada improvável enquanto a proteção americana parecia inquestionável.

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