Sexta-feira, 19 de Julho de 2024

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A maternidade pode impactar a trajetória da mulher no mercado de trabalho, afetando sua renda e empregabilidade pelo resto da vida. Levantamento mostra que, dentre adultos com filhos, as mães são maioria em ocupações que pagam menos, e os pais são nas que pagam mais.

O estudo feito por Janaina Feijó, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), mostra que a média de mães entre as ocupações de maiores rendimentos médios, como médicos, diretores e gerentes, é de 23%, ante 38% representados pelas mulheres no geral.

A proporção de pais nesse grupo de ocupações chega a 33%, enquanto a de homens no geral é de 62%. O levantamento foi feito com base nos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua do quarto trimestre de 2023 – último dado disponível.

Dentre as ocupações listadas com menores rendimentos médios, 51% são ocupadas por mães, em média, ante 74% por mulheres em geral. Pais ocupam 14% de ocupações como cozinheiros, operadores de máquinas e caixas, frente 26% dos homens em geral.

Feijó argumenta que, por serem as principais cuidadoras das crianças, as mães podem ser vistas por alguns empregadores como mais propensas a deixar o emprego para se dedicar à vida familiar e, após o nascimento dos filhos, reduzir horas em atividades remuneradas.

“Isso tende a aumentar a chance de os empregadores promoverem trabalhadores homens a posições mais estratégicas dentro da empresa. Essas posições geralmente demandam maiores responsabilidades e jornadas de trabalho mais extensas”, afirma.

Para a economista, como um filho tende a demandar mais da mãe, o nascimento da criança afeta de maneiras diferentes as trajetórias de homens e mulheres no mercado de trabalho.

“As evidências empíricas mostram que, enquanto a maternidade gera uma ‘penalidade’ (child penalty) para as mulheres em termos de participação e salários, para os homens a paternidade é até vista com bons olhos pelos empregadores e pode afetar positivamente seus salários (pay premium).”

O levantamento mostra que, quando as mães conseguem superar as barreiras para entrar na força de trabalho e conciliar tarefas domésticas com emprego, ainda enfrentam dificuldades para ganhar o mesmo que homens com filhos, mesmo em funções iguais.

Ganham menos

A remuneração média das mães é a menor dos quatro grupos analisados. No trimestre final de 2023, a remuneração média habitual real das mães (R$ 2.759) foi 10,5% menor que para mulheres sem filhos, 25,8% menor que a de homens sem filhos e 29,2% que a dos pais.

A economista chama atenção para diferentes processos que atuam para manter a disparidade salarial entre homens e mulheres, como a idade. O rendimento de mães e pais que tiveram filhos mais tarde tende a ser maior.

“Isso pode ser explicado porque por volta de 30, 35 anos, por exemplo, as pessoas estão consolidadas em sua carreira e concluíram o processo de aquisição capital humano, como mestrado e doutorado, e estão aptas a reduzir dificuldades no mercado de trabalho associadas à maternidade”, diz.

Na média, mulheres têm o primeiro filho entre 25 e 27 anos de idade. Homens, aos 29. “Esses anos de diferença são muito em termos de capital humano. O fato de homens terem filhos mais tardiamente contribui para que eles se consolidem nas suas carreiras primeiro e ganhem mais.”

André Salata, coordenador da Data Social da PUC do Rio Grande do Sul, argumenta que o principal fator por trás desse quadro é o entendimento de que o trabalho doméstico deve ser feito pelas mulheres, e não pelos homens, o que gera sobrecarga para as mulheres, dificulta a inserção e reduz o percentual de mulheres no mercado de trabalho em relação aos homens.

Estar em posições que remuneram menos pode ser, muitas vezes, uma opção da própria mulher com filho, afirma Lorena Hakak, presidente da Sociedade de Economia da Família e do Gênero (GeFam) e professora da Escola da Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV RI).

“Muitas vezes, por causa da maternidade, as mulheres acabam buscando ocupações mais flexíveis que pagam menos. Podem ser ocupações nas quais elas têm menor responsabilidade porque não precisam fazer longas jornadas”, diz. As informações são do Valor.

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