Segunda-feira, 09 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 8 de março de 2026
O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, relatava em conversas por aplicativo com a namorada, Martha Graeff, o avanço das investigações da Polícia Federal (PF) e do Banco Central (BC) sobre o Master. Nas mensagens, ele comentava o andamento das apurações e demonstrava acompanhar de perto o impacto das ações dos órgãos de controle sobre as atividades da instituição financeira. Em alguns trechos, também sinalizava acreditar contar com apoio de pessoas influentes em Brasília para continuar agindo e enfrentar o momento de pressão.
“Pancadaria, mas vivo. Eu sou guerrilheiro. Me derrubar, só matando. E isso eles não têm coragem”, disse o banqueiro, rindo, em julho de 2025, quatro meses antes de ser preso pela primeira vez e o banco ser liquidado pelo BC.
A fala foi rapidamente respondida pela companheira, que demonstrou preocupação com o tom da mensagem. “Não fala algo assim. Muito pesado”.
As mensagens foram interceptadas pela PF a partir da quebra de sigilo telemático de Vorcaro. O material faz parte do conjunto de informações obtidas no âmbito das investigações conduzidas pela corporação e foi posteriormente encaminhado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que analisa possíveis conexões entre diferentes apurações.
Em diversas mensagens trocadas com a namorada, Daniel Vorcaro utilizava termos como “guerra” e “pancadaria” para se referir ao ambiente de tensão relacionado às investigações e à situação do banco. O empresário também comentava o que classificava como mobilização de aliados e demonstrava acompanhar a repercussão pública do caso.
“Turma Brasília se mobilizando demais. Todo mundo do meu lado e com raiva do movimento de notícias”, escreveu em abril de 2025. No mesmo mês, ele também disse ser “o tema mais comentado do Brasil”.
As conversas indicam que o banqueiro mencionava contatos e encontros com figuras do cenário político e institucional. Em mensagens à companheira, ele relatou reuniões com autoridades como o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com o material reunido pelos investigadores, os diálogos foram analisados no contexto mais amplo das apurações sobre a atuação do banco e de seu controlador. As mensagens passaram a integrar o conjunto de documentos que subsidiam as investigações e foram compartilhadas com parlamentares que acompanham o caso na CPMI.
A defesa do empresário afirmou, em nota, esperar que “as autoridades que violaram o dever funcional de resguardar o sigilo sejam identificadas e responsabilizadas por atos que expõem pessoas sem relação com a investigação”. (Com informações da Coluna do Estadão/O Estado de S. Paulo)