Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 23 de fevereiro de 2026
As aulas foram suspensas em diferentes estados do México, e governos locais e estrangeiros orientaram seus cidadãos a permanecerem em casa após a onda de violência desencadeada pela morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, apontado como líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG).
Segundo autoridades, Oseguera foi morto em confronto com o Exército mexicano em seu estado natal, Jalisco, durante uma operação para capturá-lo. O CJNG é considerado uma das organizações criminosas de crescimento mais rápido no país, com atuação no tráfico de fentanil, metanfetamina e cocaína para os Estados Unidos, além de histórico de ataques contra forças de segurança.
Após a morte do líder, integrantes do cartel reagiram com bloqueios de rodovias, incêndio de veículos e confrontos em diferentes regiões. De acordo com o governo federal, mais de 250 bloqueios foram registrados em ao menos 20 estados.
A presidente Claudia Sheinbaum pediu calma à população. No fim do domingo (22), autoridades informaram que a maioria dos bloqueios havia sido removida. A Casa Branca confirmou que os Estados Unidos forneceram apoio de inteligência à operação e elogiaram a atuação das forças mexicanas, ressaltando que Oseguera estava entre os criminosos mais procurados nos dois países.
O governo mexicano avaliava que a morte de um dos principais traficantes de fentanil poderia reduzir a pressão da gestão do presidente Donald Trump por ações mais duras contra os cartéis. Ainda assim, a população permaneceu apreensiva diante da possibilidade de retaliações.
Clima de tensão
Guadalajara, capital de Jalisco e segunda maior cidade do país, registrou forte redução na circulação de pessoas no domingo. Moradores evitaram sair de casa, e o aeroporto internacional operou com equipe reduzida.
Passageiros que chegaram à cidade relataram momentos de tensão. Parte dos voos foi suspensa, e imagens divulgadas nas redes sociais mostraram viajantes buscando abrigo dentro do terminal.
Jacinta Murcia, de 64 anos, afirmou que acompanhava as notícias enquanto tentava retornar para casa após desembarcar. “Meu plano é encontrar um táxi, mas tenho medo de bloqueios ou de que algo aconteça”, disse.
Autoridades de Jalisco e dos estados vizinhos de Michoacán e Guanajuato informaram que ao menos 14 pessoas morreram no domingo, entre elas sete integrantes da Guarda Nacional.
Vídeos que circulam nas redes sociais também mostram turistas caminhando na praia em Puerto Vallarta, enquanto colunas de fumaça podiam ser vistas ao longe, em meio aos confrontos registrados na região.
(Com O Estado de S.Paulo)