Quinta-feira, 02 de Julho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 1 de julho de 2026
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tem sinalizado a pessoas próximas que pode abandonar a vida política, em meio ao recente desgaste no campo bolsonarista. De acordo com relatos, o sentimento de frustração está consolidado em Michelle.
Entre as principais queixas, a ex-primeira-dama tem reclamado do que aliados descrevem como uma “bolha assassina” nas redes que atinge especialmente mulheres.
Na última terça-feira (30), Michelle se reuniu com a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), ocasião em que demonstrou incômodo com declarações do influenciador Paulo Figueiredo e com a forma como críticas internas no bolsonarismo vêm sendo conduzidas.
Na semana passada, Michelle publicou um vídeo afirmando ter levado uma “punhalada” no ano passado e expôs atritos com o filho mais velho de Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Após esse vídeo, Figueiredo disse que mulheres “votam mal”. Nessa quarta-feira (1º), Flávio repudiou o episódio em um encontro com mulheres conservadoras.
Segundo aliados de Michelle, um ponto que teria irritado a ex-primeira-dama foi o fato de Flávio não ter reconhecido os ataques feitos a ela, mas apenas pedido desculpas em caso de “ofensa”.
A ex-primeira-dama também enfrenta atritos por defender nomes de mulheres em disputas estaduais, como Priscila Costa, no Ceará, e a deputada Carol de Toni, em Santa Catarina, o que, segundo interlocutores, contribuiu para o desgaste no partido.
Michelle tem repetido que não aguenta o jogo político tradicional e que entrou na vida pública com a intenção de fazer diferente. A percepção de que a política é um ambiente machista reforça sua disposição de recuar sobre planos eleitorais, segundo aliados.
Ela já sinalizou que pode desistir de disputar cargos eletivos. Caso a decisão se confirme, o cenário no Distrito Federal pode ser impactado. Sem Michelle como candidata ao Senado, abre-se espaço para nomes como o ex-governador Ibaneis Rocha e o senador Izalci Lucas, que não dialogam muito bem hoje com Celina Leão.
Apesar do momento de incerteza, lideranças do PL seguem tentando convencê-la a permanecer na vida política.
Na conversa de terça, Celina Leão teria destacado a importância de Michelle para o fortalecimento da participação feminina na política e para a construção do PL Mulher. (Com informações da colunista Tainá Falcão, da CNN Brasil)