Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 18 de janeiro de 2026
Dezenas de pessoas foram detidas em Caracas e em outras cidades da Venezuela, algumas preventivamente, com base no Decreto de Estado de Comoção Exterior, que prevê prisão de pessoas que manifestarem apoio à captura de Nicolás Maduro pelos militares dos Estados Unidos no dia 3, segundo relatos de organizações de defesa de direitos humanos.
No entanto, o maior medo da população de Caracas são os grupos de motociclistas armados chamados “coletivos” e ligados ao chavismo, que hostilizam cidadãos nas avenidas e ruas e incitam a violência, principalmente nos bairros da Grande Caracas, sem que a polícia imponha controle. Suas aparições têm sido cada vez mais frequentes.
“Eles estão colocando barricadas por toda Caracas e revistando celulares para aterrorizar”, denunciou um venezuelano em sua conta no Instagram há alguns dias, pedindo que as pessoas não saíssem às ruas com mensagens no WhatsApp em seus celulares.
O Departamento de Segurança Interna dos EUA emitiu, na semana passada, um alerta aos seus cidadãos na Venezuela pedindo que eles abandonem o país “imediatamente”, por razões de segurança, em meio a conversas de Washington com a presidente interina, Delcy Rodríguez, sobre um processo pacífico de transição.
Os coletivos, braço armado paraestatal criado durante o governo de Hugo Chávez para “defender a Revolução Bolivariana” após o golpe de Estado de 2002, reapareceram nas ruas próximas ao Palácio de Miraflores, no centro da capital, no mesmo dia que Delcy tomou posse como presidente interina, 5 de janeiro. Um evento que as autoridades atribuíram posteriormente a “uma confusão”.
Histórico
A ação desses grupos, no entanto, é antiga. Entre 2016 e 2018, quando os venezuelanos sofreram a pior escassez de alimentos e medicamentos em anos, a presença indiscriminada de motociclistas encapuzados e violentos coincidiu com os momentos mais graves da crise.
Esse medo retornou às ruas da Venezuela nos dias recentes, quando parte da população ouviu rajadas de tiros e fortes explosões, j untamente com o ruído ameaçador de motos. Relatos semelhantes são abundantes nas redes sociais.
Os venezuelanos evitam sair de casa ou, se o fazem, voltam cedo por medo dos coletivos, em um clima de insegurança que se soma ao impacto emocional causado pelo som de aviões e pelas explosões de mísseis americanos em vários pontos da zona metropolitana e de La Guaira durante a incursão americana, que capturou o ditador Nicolás Maduro.
Medo
Em Carrizal, próximo à capital, um grupo de motociclistas se concentrou, no dia 5, em diferentes pontos do bairro, “aparentemente” convocados pela prefeitura, sob controle do chavismo, e depois se deslocou para Caracas para se juntar a uma manifestação, de acordo com o relato de uma moradora do município, que fica no Estado de Miranda. Situações semelhantes também foram relatadas em Chacao e Baruta.
“Eles ficaram mais ou menos quietos, há grupos de motociclistas concentrados em algumas ruas, mas já dá para sair normalmente”, afirmou um morador da comunidade 23 de Janeiro, berço principal de grupos chavistas que surgiram da cultura comunitária da região e depois se tornaram violentos. “Agora eles são bandidos.
“Eles traíram nosso presidente Maduro, mas a história vai cobrar isso deles”, disse um dos fundadores do grupo armado Valentín Santana, líder de La Piedrita, em um vídeo publicado nas redes sociais, após a captura do ditador, segundo o portal da organização Insight Crime.
Especialistas em segurança associam a atuação dos coletivos a disputas internas entre o ministro do Interior, Diosdado Cabello, responsável pela segurança nacional, e os irmãos Delcy e Jorge Rodríguez pelo controle do poder. Disputas em um chavismo abalado que ressurgiram sem pudor.
De acordo com o Insight Crime, os coletivos têm assumido uma posição mais transacional em relação ao governo nos últimos anos. “Sua utilidade e seus suprimentos são garantidos pela ala mais radical do chavismo, e isso pode levá-los a pegar em armas contra aqueles que os ameaçam”, afirmou a organização, com base nas ameaças de Santana. O jornal O Estado de S. Paulo.