Sexta-feira, 26 de Junho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 25 de junho de 2026
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou novamente o sigilo das investigações que envolvem o senador Ciro Nogueira (PP-PI), além do pai e do primo de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A decisão restringe o acesso aos documentos e às movimentações relacionadas aos processos que apuram os fatos investigados.
Relator do caso envolvendo o Banco Master, Mendonça justificou que a manutenção do sigilo é necessária para preservar o andamento das apurações. Segundo o ministro, a medida busca garantir a continuidade das diligências realizadas no processo. No dia 16, ele havia retirado o sigilo de duas petições antes do julgamento realizado pela Segunda Turma do STF, que decidiu pela manutenção da prisão dos familiares do banqueiro.
Com a nova determinação, os documentos que fazem parte da investigação deixam de estar disponíveis para consulta pública, assim como as movimentações processuais. Entre os materiais que chegaram a ser divulgados anteriormente por Mendonça estava um relatório da Polícia Federal (PF) que apontava que Daniel Vorcaro teria custeado uma rotina de alto padrão para o senador Ciro Nogueira.
De acordo com a PF, em troca, o parlamentar teria atuado no Congresso Nacional em defesa de interesses relacionados ao Banco Master. A corporação também apresentou outro documento no qual relatou ameaças atribuídas a Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, contra familiares de Vorcaro.
Segundo o relatório policial, Joana Mourão teria afirmado que poderia divulgar informações capazes de “acabar com a família inteira” do banqueiro. Ainda conforme o documento, a irmã de Sicário teria relatado ter recebido vídeos contendo mensagens intimidatórias, nas quais haveria ameaças contra ela e sua mãe.
O caso também gerou divergências durante o julgamento da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal. O ministro Gilmar Mendes foi o único integrante do colegiado a apresentar voto contrário à decisão e comparou os métodos utilizados na investigação do Banco Master com práticas adotadas durante a Operação Lava Jato, classificadas por ele como “autoritárias” e “espetaculosas”.
O decano do STF também criticou o que definiu como “punitivismo inebriado” e questionou o uso de prisões como forma de estimular acordos de colaboração premiada.
Em resposta às críticas, André Mendonça afirmou que a investigação apresenta elementos que indicariam a existência de uma estrutura com “contornos de máfia” e de “crime organizado mafioso”. O ministro também mencionou a suposta utilização de armas de grande porte, como fuzis e metralhadoras, além de possíveis tentativas de infiltração no sistema policial. (Com informações da Gazeta do Povo)