Sábado, 04 de Julho de 2026

Home Política Ministro da Fazenda preocupado com a interferência dos Estados Unidos em investigação sobre organizações criminosas do Brasil

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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo brasileiro vê com preocupação a interferência da gestão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas investigações envolvendo organizações criminosas que atuam no Brasil. Segundo ele, as autoridades brasileiras já conduziam apurações sobre essas redes criminosas antes da adoção das sanções norte-americanas e mantêm o compromisso de combater essas organizações por meio das instituições nacionais.

Durante entrevista concedida na manhã dessa sexta-feira (3) ao portal de notícias g1, Durigan ressaltou que o País já vinha investigando pessoas físicas e empresas ligadas a essas organizações criminosas. Para o ministro, a principal preocupação do governo é compreender os objetivos da atuação dos Estados Unidos em relação ao tema.

“Essas organizações são, de fato, muito ruins e causam terror social no Brasil. E aí, o que a gente fica com dúvida, tanto nós, quanto a população brasileira, é o que será feito com isso. E esse espaço de ataque, esse espaço de interferência dos Estados Unidos no Brasil, sem que a gente saiba exatamente o que se pretende com isso, é o que nos preocupa”, afirmou.

Mais cedo, a direção da Polícia Federal (PF) informou que a operação deflagrada nesta sexta-feira contra brasileiros sancionados pelos Estados Unidos por supostos vínculos com a facção criminosa PCC já estava planejada antes mesmo de o governo norte-americano classificar a organização como grupo terrorista internacional.

De acordo com os investigadores, a ação precisou ser antecipada após a divulgação das sanções impostas pelos Estados Unidos aos alvos da operação. A avaliação da PF foi de que a publicidade das medidas poderia aumentar o risco de fuga dos investigados, tornando necessária a execução imediata dos mandados previstos.

Ao comentar o assunto, Durigan reforçou que as investigações conduzidas pelas autoridades brasileiras não foram motivadas pelas decisões adotadas pelo governo norte-americano. Segundo ele, os órgãos de controle e investigação do País já acompanhavam as atividades dos envolvidos.

“Essas pessoas físicas e essas empresas já estavam sendo investigadas no Brasil, pela Polícia Federal, pela Receita (Federal). A gente já sabia, não tem novidade. Hoje mesmo a polícia faz uma operação, quer dizer que a investigação já estava em curso há um tempo”, completou o ministro.

Durigan também destacou que existe cooperação entre os governos brasileiro e norte-americano no compartilhamento de informações relacionadas ao combate ao crime organizado. Segundo ele, as autoridades brasileiras seguem interessadas em manter essa troca de dados, mas ressaltou que as apurações conduzidas no Brasil já estavam em andamento antes das medidas anunciadas pelos Estados Unidos.

“A própria autoridade brasileira informou ao governo dos Estados Unidos o que se passava aqui. Não tem novidade para a gente, que já estava investigando e punindo essas pessoas e essas empresas”, prosseguiu o ministro.

A operação da Polícia Federal teve como alvos os empresários Stella Stefanie Nunes e Victor Henrique de Oliveira Shimada. Eles são os primeiros brasileiros sancionados pelos Estados Unidos desde que o governo de Donald Trump classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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