Sábado, 07 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 6 de março de 2026
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta sexta-feira (6) ter tido acesso aos dados extraídos pela Polícia Federal () do celular do banqueiro Daniel Vorcaro enquanto esteve responsável pela relatoria do caso Master. De acordo com o ministro, até a data em que deixou o comando do caso, nenhum material havia sido encaminhado ao Supremo. Toffoli ressalta ainda que sua última decisão como relator no processo foi determinar que a PF enviasse o material à Corte.
“Até o dia 12 de fevereiro de 2026, o material retirado dos aparelhos celulares apreendidos não havia sido encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, devendo-se salientar que a última decisão por mim proferida nestes autos, em 12 de janeiro de 2026, foi justamente para determinar que a Polícia Federal encaminhasse o material ao Supremo”, afirmou.
O material encontrado pela PF levou à deflagração da 3ª fase da Operação Compliance Zero, com a prisão preventiva de Vorcaro e mais três aliados.
As mensagens dos aparelhos apreendidos apresentavam indícios de tentativa de atrapalhar as investigações. Segundo a PF, os investigados teriam formado um grupo com o objetivo de acessar informações sigilosas e intimidar jornalistas e adversários.
Há indícios ainda de que Vorcaro teria tido acesso indevido a sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais, como a Interpol. As mensagens também mostram uma relação entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Algumas horas antes da operação da PF que resultou na primeira prisão do empresário, ainda no ano passado, Vorcaro teria mandado para Moraes: “Conseguiu bloquear?”.
Toffoli foi relator do Caso Master no Supremo e deixou o posto em fevereiro. A medida foi anunciada em uma nota assinada pelos dez ministros da Corte após uma reunião de mais de quatro horas que sucedeu vários dias de uma das maiores crises de credibilidade do Supremo.
A condução do caso pelo ministro foi alvo de críticas desde o início. Logo após assumir o comando da investigação pelo Supremo, Toffoli viajou para a Final da Libertadores, no Peru, no mesmo jatinho em que estava um dos advogados da defesa do caso do banco.
Já em 2026, o ministro impôs sigilo máximo ao processo e determinou que o material apreendido pela PF na operação que investiga as supostas fraudes do Master fosse lacrado e enviado diretamente para a sede do Supremo. Normalmente, as provas obtidas em operações ficam a cargo da PF. A decisão gerou forte reação na corporação.
Posteriormente, Toffoli recuou e autorizou o acesso aos documentos à PF, mas designou agentes por conta própria para acompanhar a perícia do material apreendido. Houve ainda a revelação de ligações financeiras entre irmãos do ministro, que adminitraram o Resort Tayayá, e um fundo ligado ao Banco Master.
Ao sair da relatoria, porém, Toffoli em nenhum momento se declarou suspeito para conduzir o caso, o que permite que ele ainda vote em sessões relacionadas à investigação.
Após a saída do ministro do comando do caso, André Mendonça foi sorteado o novo relator. Como ele integra a Segunda Turma, eventuais referendos de decisões e ações penais serão julgados nesse colegiado e devem contar com o voto e argumentação de Toffoli. (Com informações do portal CNN Brasil)