Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 24 de fevereiro de 2026
Moradores do Parque Burnier, em Juiz de Fora, Zona da Mata de Minas Gerais, afirmaram ter sentido o chão trepidar na tarde de domingo (22), cerca de 24 horas antes do deslizamento que deixou mortos e desaparecidos na região.
O Corpo de Bombeiros contabiliza 28 mortos, 21 em Juiz de Fora e sete em Ubá. Já a Prefeitura de Juiz de Fora computava, na noite dessa terça (24), 22 mortos na cidade.
No Parque Burnier, o trecho de uma rua deslizou e derrubou cerca de 12 casas. O bairro tem 20 desaparecidos e bombeiros buscam pessoas soterradas.
Cinco são da família de Mariana de Oliveira Silva, 40. Entre os desaparecidos estão uma criança e dois adolescentes. “Era um terreno com muitas casas. A casa de trás era uma quitinete que veio abaixo e levou todas as outras”, afirma.
Moradores relatam que duas pedras deslizaram e bateram nas casas. O impacto e a força das chuvas teriam contribuído para o deslizamento.
“Todo mundo do bairro sentiu o chão tremer no domingo, que já vínhamos de dias de chuva. Daí por volta das 20h de segunda (23) ouvimos dois grandes estrondos. Quando saímos para a rua, vimos as casas caídas”, afirma Joice Silveira, 36.
Retroescadeiras retiram lama e galhos de árvores das ruas do bairro, formado por ladeiras.
Novo alerta
Às 14h27, a Defesa Civil mineira emitiu alerta de mais chuva nos celulares. A vibração dos aparelhos assustou quem acompanha as buscas do Corpo de Bombeiros. Uma chuva forte caiu na região nessa tarde.
Rios que cortam Juiz de Fora estão tomados pela lama. Há clarões dos deslizamentos nas áreas elevadas da região.
Os estragos em Juiz de Fora levaram a prefeita Margarida Salomão (PT) a decretar estado de calamidade pública na cidade mineira ainda durante a madrugada desta terça, o que foi reconhecido pelo governo federal.
O ministro de Integração e Desenvolvimento Regional do governo Lula (PT), Waldez Góes, disse que equipes da Defesa Civil nacional estão se dirigindo à região de Juiz de Fora para atuar em conjunto com as autoridades locais.
Segundo a prefeita Margarida, o temporal provocou ao menos 20 soterramentos de imóveis no município, principalmente na região sudeste. A Defesa Civil atendeu 251 ocorrências relacionadas à chuva. Os desabrigados estão sendo levados a três escolas do município.
“Juiz de Fora é um município que tem um conjunto de morros que ultrapassam 100 metros de altura, do topo à base. Ao mesmo tempo tem uma rede de drenagem muito volumosa. Por isso há dois problemas simultâneos. O de movimento de massa, deslocamento de encostas, e o transbordamento de rios”, afirma Miguel Felippe, professor do departamento de geociências da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora).
O vice-governador Mateus Simões (PSD) afirmou que a população que recebeu alerta de risco de deslizamento deve deixar os imóveis. Há previsão de chuva até sábado (28). “Temos que começar a tratar da ocupação irregular no Brasil. É previsível que aconteceria uma coisa como essa, e é absolutamente devastador pensar que nós temos idosos e crianças soterradas aqui”, afirmou. (Com informações da Folha de S. Paulo)