Terça-feira, 17 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 2 de outubro de 2022
Eder Jofre, o maior peso galo do boxe em todos os tempos, morreu, neste domingo (2), em São Paulo, aos 86 anos. Ele estava internado desde 4 de março por causa de uma pneumonia, perdeu muito peso e não se recuperou fisicamente. Há sete anos, ele foi diagnosticado com uma doença neurológica degenerativa.
Eder Jofre manteve durante toda a sua vida a coragem e a determinação para enfrentar os adversários da vida, como fez em seus 20 anos de carreira profissional, quando venceu 75 rivais (53 por nocaute) e se consagrou como o maior peso galo da história do boxe. No começo do ano passado, passou a tratar a Encefalopatia Traumática Crônica (ETC), doença diagnosticada em 2013 que lhe causou problemas motores e de memória, com canabidiol ou CBD, sob prescrição médica.
Apontado pela revista The Ring, em 1997, como o nono maior pugilista de todos os tempos, Eder ganhou uma biografia em 2021, lançada nos Estados Unidos pelo jornalista e escritor americano Chris Smith. O livro tem 605 páginas e, segundo o autor, o trabalho “foi o resultado de muitos anos de pesquisa, com várias fontes primárias, comunicação direta com a família Jofre, muitas entrevistas e com muitas fotografias raras”. Uma versão em português será lançada possivelmente em outubro neste ano.
Por causa do seu 85.º aniversário, o Galo de Ouro recebeu várias homenagens de ex-campeões, que mandaram vídeos nas redes sociais. Há 36 anos, ele encerrou a vitoriosa carreira, mas permaneceu com um prestígio inabalável no mundo do boxe. Além de ser o maior maior peso galo, ganhou também o cinturão dos penas. Formou ao lado de Maria Esther Bueno e Adhemar Ferreira da Silva, um trio de esportistas brasileiro que goza de maior fama no exterior.
“Eder tinha tudo que um grande lutador deve possuir em sua época. Para coroar o pacote, ele também tinha um ‘queixo de ferro’ e de resistência, a exemplo de Jake LaMotta e Carmen Basilio”, escreve o Cyber Boxing Zone, site especializado. “Talvez a qualidade mais impressionante tenha sido a capacidade de adaptação. Jofre era um lutador muito inteligente, que poderia mudar seu estilo para se ajustar a qualquer tipo de adversário. Ele poderia ser brigador, clássico… O cara era uma obra de arte.”
Para mostrar que o comentário do site sobre o pugilista brasileiro não é exagerado, pode-se lembrar que Sugar Ray Robinson, apontado em quase todas as listas como o maior boxeador de todos os tempos, fez questão de posar ao lado de Eder Jofre, em 1960, antes de o lutador nacional enfrentar o mexicano Eloy Sanchez, quando ganhou o primeiro título mundial, em Los Angeles, EUA.
O jornalista americano Ted Sares tem outra definição para o pugilista brasileiro. “Com um poder de soco em ambas as mãos, Jofre também tinha grandes habilidades técnicas e reflexos, ao melhor estilo Sugar Ray Robinson”, analisa. “Ele tinha o gancho e o direito em linha reta; um inferno. Ele tinha tudo. Um perfurador de corpos.”
Com tanto reconhecimento nos Estados Unidos, Eder entrou para o Hall da Fama do boxe em 1992. “A maioria dos fãs americanos não teve a oportunidade de vê-lo em ação, mas nos anos 60 Eder Jofre foi considerado o melhor lutador libra por libra em todo o mundo”, afirma Ed Brophy, diretor executivo do Hall da Fama. No ano passado, teve seu nome colocado também no hall da fama da Costa Oeste.
A lendária revista The Ring classificou Eder como o 9º melhor de todos os tempos. Dan Cuoco, diretor da International Boxing Research Organization (Organização Internacional de Pesquisa de Boxe), vai além. “Vi muitas lutas dele e posso dizer, sem medo de errar, que Eder Jofre foi o melhor boxeador que nasceu abaixo do Equador.”