Segunda-feira, 02 de Fevereiro de 2026

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Há dois meses, Minneapolis é palco da mais extensa, numerosa e letal operação armada urbana de combate à imigração irregular da História dos EUA. Após a morte de dois cidadãos americanos e da reação federal pautada pelo radicalismo ideológico, a “Operação Metro Surge” também se tornou, afirmam acadêmicos e políticos dos dois lados do tabuleiro político, além de dor de cabeça eleitoral para o presidente Donald Trump, o mais significativo teste à democracia do país desde o ataque ao Capitólio, em janeiro de 2021.

No último dia 7, agentes de imigração mataram a poeta Renee Good. No fim de semana passado, o enfermeiro Alex Pretti. A mãe de três filhos foi alvejada com três disparos na cabeça. O profissional de uma UTI local recebeu dez tiros pelas costas. Tinham 37 anos, eram brancos de classe média. Trump, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, e o assessor especial Stephen Miller, acusaram-nos falsamente de terrorismo e determinaram que as investigações fossem conduzidas internamente. Foi quando perderam a batalha pela opinião pública.

Medo

Frente às mortes de Good e Petti, o episódio da semana passada descrito à revista The Atlantic pelo companheiro de chapa da ex-vice-presidente Kamala Harris, derrotada por Trump em 2024, parece nota de rodapé. Walz, no entanto, oferece importante instantâneo do desespero da vida cotidiana nos EUA do Trump 2.0. Algo que, receia parcela cada vez maior da sociedade civil americana, pode se tornar regra no país.

Até mesmo quadros do Partido Republicano, entre eles o governador de Vermont, Phil Scott, o prefeito de Oklahoma, David Holt, e o senador Rand Paul, do Kentucky, criticaram as ações do ICE e da Patrulha de Fonteira (CBP, na sigla em inglês) em Minneapolis. Uniram-se à oposição na defesa do direito constitucional de ir e vir e de protestar, sem risco à vida, como argamassas da democracia americana. No Congresso, atuaram para exigir, entre outras medidas, o uso obrigatório de câmera corporal pelos agentes.

As sondagens de janeiro registraram o tamanho do desastre da “Metro Surge” para a Casa Branca. Na enquete da conservadora Fox News, conduzida no fim de semana da execução de Pretti, 59% afirmam condenar a política de imigração do governo, aumento de 10 pontos desde julho. Entre os eleitores sem preferência partidária, o desagrado explodiu, de 49% para 71%. Pesquisas de consumo interno encomendadas pelos democratas revelam aumento sensível do que eles já batizaram de “voto anti-ICE”.

Um estrategista do Partido Republicano destacou jamais ter imaginado que, em apenas um ano, o governo Trump conseguiria eliminar as duas vantagens centrais em temas que impulsionaram a vitória sobre Kamala em 2024: economia, com a ausência de medidas para a redução do custo de vida em benefício dos tarifaços, e a imigração, com o desvio do combate à entrada de imigrantes irregulares pelas fronteiras, tarefa da CBP, deslocada para o combate urbano como linha auxiliar do ICE.

Rejeição 

Após os latinos e eleitores dos subúrbios, as enquetes identificaram o desencanto com Trump de outro grupo central na coalização vitoriosa de 2024, os jovens. Em novembro, todos voltarão às urnas, para decidir o controle do Congresso e de um punhado de governos estaduais. Trumpistas temem vitórias gordas do Partido Democrata, capazes de, entre outras medidas, reformar as agências federais de combate à imigração.

Minneapolis consolidou a rejeição popular ao ICE, já ensaiada após ações violentas em comunidades latinas e em Los Angeles e Chicago. Forçou recuos estratégicos de Washington, mas de duração incerta, entre eles a troca de comando da “Metro Surge”, do radical Gregory Bovino pelo veterano Tom Homan, o “czar das fronteiras” do Trump 2.0, e o afastamento de agentes envolvidos nas mortes. Mas eles foram condicionados, para agradar à base do Movimento Faça os EUA Grandes Novamente (Maga, na sigla em inglês), ao maior acesso dos agentes a prisões, hospitais e escolas, e colaboração das polícias locais.

O impasse, que pode sangrar mais os republicanos, segue, inclusive com a detenção de dois jornalistas, um deles o ex-âncora da CNN Don Lemon, acusados de participarem de um protesto na vizinha Saint Louis que interrompeu um culto cujo pastor era também agente da ICE. Os repórteres afirmam que estavam cobrindo a manifestação e denunciaram o ataque à liberdade de imprensa.

Desde as mortes de Good e Petti aumentaram os protestos no Estado, Bruce Springsteen lançou comovente canção em apoio à cidade e manifestações estão programadas para todo o país neste fim de semana. Em Minneapolis, uma frente de voluntários bate panelas nos hotéis em que os agentes se hospedam, apita quando os carros do ICE aparecem, alimenta vizinhos exilados em casa, apavorados de serem levados da noite para o dia. E grita pelo fim da agência.

A extinção do ICE, no entanto, é tema polêmico na cúpula do Partido Democrata, que identifica no slogan antipolícia da esquerda, incrementado justamente em Minneapolis após a morte, em 2020, do negro George Floyd por um policial branco, uma das razões da derrota de Kamala. Esses mesmos dirigentes apontam outro caminho, o de encarar o janeiro de 2026 nos moldes do de cinco anos atrás, com a defesa da democracia novamente possível a a partir de bases concretas. (Com informações do jornal O Globo)

 

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