Terça-feira, 06 de Outubro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 5 de outubro de 2026
As mulheres ocupam apenas 29% dos cargos vitalícios no Poder Judiciário, conforme indica a pesquisa “Mulheres na Justiça”, que mapeou a proporção por gênero em tribunais, promotorias e defensorias públicas. O levantamento inclui desembargadoras, procuradoras de Justiça e ministras de cortes superiores e do Supremo Tribunal Federal.
A maior desproporção ocorre nas instâncias mais altas. No STF, a participação feminina se limita à presença da ministra Cármen Lúcia entre os dez magistrados que exercem a função.
No Superior Tribunal de Justiça, há apenas seis ministras, o que corresponde a 18% do total. As mulheres também representam menos de um terço dos procuradores da República do Ministério Público Federal.
Entre os 27 Tribunais de Justiça, apenas quatro são presididos por mulheres. E somente três promotoras presidem Ministérios Públicos estaduais. O levantamento foi desenvolvido pelo Fórum Justiça, JUSTA e Themis. organizações da sociedade civil especializadas em pesquisas.
Algumas dessas organizações começaram a desenvolver iniciativas para enfrentar o problema. A Themis montou uma turma formada por mais de 30 magistradas, promotoras e defensoras públicas para desenvolver novas lideranças, com foco em mulheres negras. O curso terá dez meses de duração.
Já o Fórum Justiça faz a articulação com a sociedade civil e movimentos sociais. A ideia é criar um cenário propício para que mulheres preencham as três novas vagas que serão abertas no STJ, duas por aposentadorias compulsórias e outra por punição ao ministro Marco Buzzi, acusado de importunação e assédio sexual.
Mulheres na política: candidaturas aumentam, mas presença no poder ainda é pequena
As mulheres são maioria entre os eleitores brasileiros. Dados da Justiça Eleitoral mostram que são 83,8 milhões de eleitoras, contra 74,8 milhões de homens. A diferença acompanha a composição da população brasileira. Segundo o IBGE, o país tem cerca de 6 milhões de mulheres a mais do que homens.
Mesmo sendo maioria, elas ainda têm participação menor nos cargos de liderança e nos espaços de decisão.
Na política, a presença feminina nas eleições aumentou nos últimos anos, mas ainda existe uma diferença entre estar na disputa e chegar aos lugares onde as decisões são tomadas.
As razões podem ser diferentes. Falta de espaço dentro dos partidos, recursos, estrutura de campanha, responsabilidades familiares, violência política e até o interesse das próprias mulheres em entrar na política são alguns dos pontos que aparecem nessa discussão. (Com informações do portal Consultor Jurídico)