Domingo, 01 de Março de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 28 de fevereiro de 2026
Na avaliação de economistas, a inflação de fevereiro não colocou em xeque a expectativa de retomada do ciclo de corte de juros pelo Copom, apesar da forte aceleração da prévia do índice. Pressionada por reajustes de mensalidades escolares e aumentos nos custos de transporte, a inflação oficial medida pelo IPCA-15 subiu de 0,20% em janeiro para 0,84% em fevereiro, superando até as projeções mais pessimistas de analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, que esperavam alta entre 0,39% e 0,69%.
Mesmo com a surpresa negativa, o acumulado em 12 meses voltou a desacelerar, recuando de 4,5% para 4,1%, o menor nível desde junho de 2024 e dentro do intervalo de tolerância da meta perseguida pelo Banco Central, de até 4,5%.
Economistas avaliam que o resultado não representa uma inflexão na trajetória recente de desinflação, nem deve impedir que o Copom retome em março o ciclo de redução da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15%, com estimativas de corte de até 0,5 ponto porcentual.
Para Alexandre Maluf, da XP Investimentos, o dado “soa pior no headline do que na leitura técnica”, destacando o bom comportamento de serviços mais inerciais, como aluguel e condomínio, além da queda de 1,37% na energia elétrica, favorecida pela bandeira verde. Já Matheus Pizzani, do PicPay, apontou a desaceleração em Alimentação e bebidas, Artigos de residência e a queda em Vestuário como sinais positivos para a política monetária.
Há, contudo, visões mais cautelosas. Luiz Arthur Hotz Fioreze, da Oryx Capital, avaliou o dado como “um balde de água fria” para projeções mais agressivas de cortes e alertou que a persistência inflacionária pode levar o BC a adotar postura mais conservadora no segundo semestre.
Segundo o IBGE, os principais focos de pressão em fevereiro vieram de Transportes (1,72%) e Educação (5,20%), responsáveis por cerca de 80% da inflação do mês. Passagens aéreas (11,64%), ônibus urbano (7,52%) e gasolina (1,30%) responderam juntos por 0,24 ponto porcentual do IPCA-15. Em Educação, os reajustes sazonais dos cursos regulares impulsionaram altas expressivas no ensino médio, fundamental e pré-escola.
Na alimentação, o consumo no domicílio subiu 0,09%, com alta de tomate e carnes, enquanto arroz, frango e frutas ficaram mais baratos. Já a alimentação fora do lar avançou 0,46%. (Com informações de O Estado de S. Paulo)