Sexta-feira, 09 de Janeiro de 2026

Home Comportamento Na “idade do sucesso”? Estudo britânico aponta 32 anos como fim da adolescência; entenda

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Já imaginou acordar aos 32 anos e descobrir que a adolescência ficou para trás? A ideia remete ao filme De Repente 30, mas é o que sugere um estudo da Universidade de Cambridge, publicado na revista Nature Communications. Pesquisadores britânicos analisaram o cérebro de 3.802 pessoas, com idades que variaram do nascimento aos 90 anos, por meio de exames de ressonância magnética de difusão — técnica que mapeia as conexões neurais — e identificaram cinco grandes fases de reorganização cerebral ao longo da vida.

Segundo o estudo, o desenvolvimento do cérebro infantil ocorre do nascimento até aproximadamente os 9 anos, quando acontece o primeiro ponto de virada. A partir daí, tem início a adolescência, marcada pelo refinamento das conexões neurais, aumento da eficiência cognitiva e maior vulnerabilidade a transtornos de saúde mental. De acordo com Alexa Mousley, coautora da pesquisa, “a adolescência é a única fase da vida em que a eficiência neural continua crescendo, preparando o cérebro para a idade adulta”.

Por volta dos 32 anos, os cientistas identificaram o que chamam de “ponto de virada topológico mais forte” do ciclo de vida. Nesse período, as redes neurais passam por mudanças significativas que inauguram a fase adulta, caracterizada por maior estabilidade cognitiva e emocional. Essa condição tende a se manter relativamente estável por cerca de três décadas.

Em entrevista ao Correio Braziliense, o neurologista Thiago Taya, do Hospital Sírio-Libanês, explica que, na vida adulta, o cérebro já acumulou conhecimento, consolidou a personalidade e atingiu maior maturidade emocional. “Com o passar do tempo, no entanto, a plasticidade cerebral diminui, tornando o cérebro mais rígido”, afirma.

Aos 66 anos, segundo o estudo, começa o chamado envelhecimento precoce, fase marcada por alterações graduais nas conexões neurais e aumento da vulnerabilidade a problemas de saúde. Já aos 83 anos ocorre a última grande reorganização cerebral, quando o funcionamento passa a depender mais de regiões específicas, com redução da conectividade global.

Para o Correio Braziliense, o neurologista Marcos Alexandre Carvalho Alves, especialista em doença de Parkinson, avalia que mapear essas fases representa um avanço importante. “Agora sabemos que o cérebro não se desenvolve de forma contínua. Identificar esses momentos de reorganização ajuda a entender quando ele está mais forte ou mais vulnerável, o que pode explicar o surgimento de doenças mentais em idades específicas”, afirma.

O professor de neuroinformática da Universidade de Cambridge, Duncan Astle, reforça que diferenças na conectividade cerebral podem antecipar dificuldades de atenção, memória e linguagem, estabelecendo uma ligação direta entre essas fases e a saúde mental e neurológica. Já Carlos Uribe, neurologista do Hospital Brasília, destaca que os achados abrem caminho para novas pesquisas. “Será possível comparar indivíduos com transtornos mentais iniciados na juventude ou avaliar se mudanças cerebrais aos 66 anos podem indicar risco de demência. Estamos apenas começando a compreender como a arquitetura neural molda a vida humana.”

(Com informações do O Globo e Correio Braziliense)

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