Sexta-feira, 27 de Março de 2026

Home em foco Na ONU, Irã acusa Estados Unidos e Israel de genocídio por ataque a escola que deixou mais de 170 mortos

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O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, acusou os Estados Unidos e Israel de cometer genocídio durante a guerra e pediu que a ONU (Organização das Nações Unidas) condene os dois países pelo ataque a uma escola em Minab, que deixou matou mais de 170 pessoas, entre alunos e professores, no dia 28 de fevereiro.

A acusação de Araqchi ocorreu em fala ao Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta sexta-feira (27). A sessão em Genebra, na Suíça, teve como tema central o ataque à escola de Shajareh Tayyebeh, localizada em Minab, no sul do país, ocorrido no primeiro dia da guerra entre EUA, Israel e Irã.

“Esse ataque brutal [a Minab] é apenas a ponta visível de um iceberg muito maior, que esconde tragédias ainda mais graves, incluindo a normalização das mais horríveis violações de direitos humanos e do direito internacional humanitário. (…) O padrão de alvos dos agressores, juntamente com sua retórica, deixa pouca dúvida de que sua intenção clara é cometer genocídio”, afirmou Araqchi.

O chanceler iraniano disse que as vítimas do ataque foram “massacradas de forma completamente intencional e brutal”, em um crime de guerra e contra a humanidade. O bombardeio foi feito por engano pelo Exército dos EUA, segundo análises da mídia norte-americana. Uma investigação militar também indicou em caráter preliminar que as forças dos EUA teriam responsabilidade no ocorrido.

No Conselho de Direitos Humanos da ONU, Araqchi também acusou EUA e Israel de destruírem ou danificarem mais de 600 escolas durante a guerra, o que resultou em mais de 1 mil alunos e professores mortos ou feridos;
voltou a criticar os EUA por iniciarem o conflito durante negociações nucleares entre os dois países; criticou ameaças de ataques a infraestruturas vitais –feitas pelos EUA nos últimos dias – e disse que instalações dessa natureza e também civis já sofreram ataques durante a guerra. Ele também afirmou que o Irã nunca buscou a guerra e continuará se defendendo pelo tempo que for preciso.

Os Estados Unidos não tiveram um orador na sessão do Conselho para se defender das acusações de Araqchi.  Na sessão, o chefe de Direitos Humanos da ONU, Volker Türk, pediu que os EUA concluam sua investigação sobre o ataque à escola em Minab e que divulguem os resultados.

O representante do Brasil no Conselho de Direitos Humanos da ONU, ministro André Simas Magalhães, afirmou que o País condena fortemente o ataque. “Esse ato é grave violação dos direitos humanos e da lei internacional humanitária. Estamos presenciando uma sistemática violação da Carta da ONU. Isso parece ter virado uma constante em guerras pelo mundo”, disse.

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