Sábado, 03 de Outubro de 2026

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O piloto indiano Smit Machchhar, ferido em um ataque de seu copiloto a bordo de um voo entre Dubai e Tel Aviv, afirmou nessa sexta-feira (2) ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, que agiu para proteger os passageiros do avião.

“Eu estava tentando salvar a minha própria vida, mas sabia que não podia deixar que todas aquelas pessoas morressem”, declarou Machchhar de seu leito no hospital, durante uma ligação divulgada por Modi em um vídeo publicado nas redes sociais.

Machchhar, com 17 anos de experiência na aviação, incluindo 11 como comandante, relatou o momento em que percebeu que o avião estava perdendo altitude enquanto estava ferido no chão, o que o levou a fazer um último esforço para evitar uma catástrofe.

“Eu tinha sofrido tantos ferimentos que caí. Naquele momento, eu conseguia sentir que o avião estava caindo. Eu sabia que aquela era a última tentativa, que a porta estava bem ali”, relatou. “Eu continuava sendo agredido, mas disse a mim mesmo para fazer um último esforço para abrir a porta por dentro.”

Foi nesse momento que outras pessoas conseguiram entrar na cabine e ajudaram a controlar a situação. Machchhar afirmou que, durante o confronto, recitou uma oração dedicada a Hanuman, a divindade hindu com forma de macaco que simboliza força, coragem e devoção.

“Sei que Deus em pessoa me salvou.”

O voo, um Boeing 737 operado pela companhia FlyDubai, transportava 174 passageiros, incluindo 166 israelenses, quando o incidente ocorreu na quarta-feira (30). As circunstâncias do confronto seguem sob investigação. Segundo as acusações, o copiloto atacou Machchhar, o que desencadeou uma luta pelo controle da aeronave duas horas e meia depois da decolagem de Dubai com destino a Tel Aviv, perdendo 5,2 mil metros de altitude em menos de dois minutos.

Modi destacou a reação do capitão durante a emergência e afirmou que sua capacidade de tomar decisões rapidamente ajudou a preservar muitas vidas e evitar “uma grande tragédia”.

“Nossa coragem, paciência e rápida tomada de decisões salvaram a vida de tantas pessoas”, disse Modi a Machchhar, acrescentando que a Índia estava orgulhosa dele.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, já havia atribuído o mérito de evitar uma catástrofe a Machchhar e aos passageiros do voo, que dominaram o agressor após a invasão da cabine. Dois pilotos reserva estabilizaram a aeronave, que foi então desviada para Tabuk, no noroeste da Arábia Saudita, onde pousou com segurança.

Machchhar foi levado inicialmente para um hospital e depois transferido de avião para Abu Dhabi. A Embaixada da Índia nos Emirados Árabes Unidos informou que ele estava em bom estado de saúde e se recuperando. O embaixador indiano, Deepak Mittal, afirmou estar orgulhoso da atuação do capitão e aliviado por tê-lo encontrado.

Para os amigos e vizinhos no subúrbio de Tilak Nagar, em Mumbai, capital econômica da Índia onde vivem os pais do piloto, essa coragem não surpreende. Eles descrevem Machchhar como uma pessoa gentil, prestativa e “sempre sorridente”. De temperamento sereno, ele sempre demonstrou grande sangue frio.

“Não esperávamos menos dele, não foi uma surpresa”, declarou Akshay Doshi, que conhece Machchhar há cerca de 15 anos e mora ao lado do apartamento dos pais do piloto.

Já Laxmikant Joshi, outro vizinho, afirmou que todos estão orgulhosos por “sua natureza, por sua coragem”.

“Ele salvou vidas quando ele mesmo estava em perigo”, disse à AFP.

O próprio piloto já havia falado sobre a pressão da profissão. Ao iniciar a carreira, contou que a responsabilidade pela segurança dos passageiros costumava pesar sobre ele. Em um podcast de 2025, recordou que seu primeiro voo comercial foi “assustador” justamente pelo peso de ser responsável pela vida de outras pessoas. Com o tempo, disse ter aprendido a lidar com essa pressão.

Machchhar começou estudando administração, com a intenção de ajudar a família no negócio têxtil. Depois, participou de um seminário sobre aviação e decidiu seguir a carreira de piloto.

Ele trabalhou na companhia indiana SpiceJet antes de ingressar na FlyDubai, em 2022. Segundo seu perfil no LinkedIn, acumula mais de uma década de experiência em voos comerciais com aviões Boeing 737.

“Você é um herói para todos nós, Capitão”, publicou a SpiceJet nas redes sociais. (Com informações do jornal O Globo e da AFP)

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