Domingo, 08 de Novembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 7 de novembro de 2026
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse, em entrevista à Folha de S. Paulo, a primeira a um veículo de imprensa brasileiro desde a fuga, que nem ele nem Lula (PT) podem afirmar, com 100% de certeza, quem foi eleito presidente do Brasil. Ele admite não ter provas de fraudes nas eleições deste ano, mas diz que esse é um assunto proibido de ser investigado no país.
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, atestou a lisura das eleições de 2026 e afirmou ter “absoluta segurança do processo eleitoral”.
O ex-presidenciável afirma que o PL, seu partido, pedirá a cassação da chapa Lula/Alckmin por abuso de poder econômico, com base nas medidas tomadas ou prometidas pelo governo durante a campanha, como aumento do Bolsa Família, o Pé-de-Meia Universitário e o repasse de um Pix de R$ 5.000 para MEIs (microempreendedores individuais).
Na avaliação de Flávio, o Brasil não vive uma democracia plena, porque não há liberdade de manifestação. Está tudo “dominado” pelo governo, diz ele, inclusive o TSE. Kassio e o vice André Mendonça foram indicados por Jair Bolsonaro.
Ele argumenta ter saído do país para “não legitimar processo ditatorial comandado pelo [ministro do STF] Alexandre de Moraes”.
Na entrevista, o senador abandonou o tom mais moderado ensaiado na campanha e retomou o estilo do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro: reproduziu teorias conspiratórias e discursos golpistas, defendeu o voto impresso e acusou o governo Lula de ter um projeto “comunista”.
Flávio se recusa a falar sobre o plano de fuga ou de quem ajudou ou financiou sua saída do Brasil. Não decidiu ainda em que estado vai morar com a família, diz estar vivendo de reservas financeiras e afirma que gostaria de estar no Brasil. Mas, segundo ele, não pretende “cometer o mesmo erro” que o pai, que voltou ao país em 2023, após três meses na Flórida, e acabou preso pouco mais de dois anos depois.
Sobre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que admitiu disputar a Presidência em 2030, Flávio responde que “todo mundo tem o direito de se colocar como candidato”. Afirma que, se seu partido concordar, também pretende concorrer. Mas, se Jair Bolsonaro retomar seus direitos políticos, será ele o candidato, de acordo com o senador.
A entrevista aconteceu na tarde desta quinta-feira (5) em um espaço de coworking em Miami. Foi acompanhada pelo aliado de Flávio e comentarista político Paulo Figueiredo. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro participava de um evento da Cpac (Conferência de Ação Política Conservadora) em Mar-a-Lago, para onde o irmão foi à noite.
Leia a seguir os principais trechos da entrevista:
Pretende ficar em Miami, morar em outra cidade nos Estados Unidos ou voltar para o Brasil?
Ainda vou decidir com minha família como será daqui para frente.
Pretende ficar aqui [nos EUA] enquanto essa investigação [sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz] estiver pendente?
Eu sei qual vai ser o final de um processo desse muito antes de começar, como aconteceu com meu pai, como aconteceu com Eduardo [Bolsonaro, que vive nos EUA desde fevereiro do ano passado]. Não tem por que eu acreditar que comigo seria diferente.
O Supremo está comprometido, o Tribunal Superior Eleitoral é dominado pelo governo, e Polícia Federal e Ministério Público Federal são aparelhados [Jair Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado pela Primeira Turma do STF por 4 a 1; Eduardo foi condenado por coação pela sua atuação nos EUA por sanções ao Brasil].
Como vai se bancar em Miami, onde o custo de vida é alto para quem recebe em reais?
Tenho reservas.
Reservas de que?
Sou parlamentar desde os 21 anos, empresário e advogado. Minha principal renda vem da advocacia. Mas certamente vou ter que trabalhar como todas as pessoas que vêm de fora dos Estados Unidos para cá.
Pretende abrir mão do resto do seu mandato como senador?
De forma alguma. Sempre que houver a possibilidade de participar das sessões de forma virtual, vou participar.
Em entrevista ao jornal New York Times você disse que só tomou a decisão de viajar na segunda-feira pós-eleição. Qual foi a primeira vez que você falou sobre a possibilidade de viajar se perdesse a eleição?
Eu falei com a minha esposa depois que fui intimado pela Polícia Federal. Na segunda-feira, fui visitar o presidente Bolsonaro, que defendo como advogado. Ao sair, policiais federais me avisaram que eu não poderia deixar o país. Naquele momento, ele falou para mim: “Você sabe onde é que eles querem chegar, né?”. Eu falei: “Pai, fique tranquilo que eu sei o que tenho que fazer”. (Com informações da Folha de S. Paulo)