Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

Home Variedades Nasa deve conseguir retornar à Lua, mas pouso em 2028 não está garantido: Mis­são depende de módu­los luna­res em desen­vol­vi­mento pela Spa­cex, de Elon Musk, e pela Blue Ori­gin, de jeff Bezos

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A Nasa (agên­cia espa­cial dos EUA) espera que 2028 seja o ano de um pouso tri­pu­lado na Lua, uma ambi­ção que reflete o obje­tivo do pre­si­dente ame­ri­cano Donald Trump de levar a huma­ni­dade de volta à super­fí­cie lunar antes do fim de seu segundo man­dato. Cum­prir esse cro­no­grama depende do sucesso da mis­são Arte­mis 3, que deve ser lan­çada em mea­dos de 2027.

Durante o anún­cio dos qua­tro astro­nau­tas da Arte­mis 3, que voa­rão em órbita baixa da Terra na mis­são de teste para a jor­nada lunar, o dis­curso da agên­cia espa­cial ame­ri­cana con­cen­trou-se em aumen­tar as expec­ta­ti­vas para a pró­xima mis­são. Mas pouco foi dito sobre a via­bi­li­dade de con­cre­ti­zar o plano.

Em uma entre­vista cole­tiva con­ce­dida logo após o evento, o admi­nis­tra­dor da Nasa, Jared Isa­ac­man, disse que a agên­cia está “extre­ma­mente con­fi­ante” em atin­gir essa meta e que será trans­pa­rente com quais­quer atu­a­li­za­ções. “Vamos vol­tar à Lua antes do final de 2028”, disse Isa­ac­man. “É só acom­pa­nhar.”

Espe­ci­a­lis­tas se mos­tra­ram espe­ran­ço­sos de que a Nasa con­siga retor­nar à Lua, mas tam­bém demons­tra­ram ceti­cismo sobre a via­bi­li­dade de fazer isso até 2028. “Acho que eu e a mai­o­ria das pes­soas dirí­a­mos que não é uma data rea­lista”, afir­mou Casey Dreier, dire­tor de polí­tica espa­cial da Pla­ne­tary Society, ONG ame­ri­cana vol­tada à ciên­cia espa­cial.

Em abril, a Nasa pro­vou com a Arte­mis 2 que pode­ria usar o foguete SLS (Space Launch Sys­tem) e a espa­ço­nave Orion para enviar huma­nos à órbita lunar. Porém, agora a agên­cia depende de duas empre­sas pri­va­das, a Spa­cex e a Blue Ori­gin, para for­ne­cer veí­cu­los de pouso para mis­sões que vão trans­fe­rir astro­nau­tas da órbita para a super­fí­cie da Lua e, depois, de volta.

Segundo Dreier, isso per­mi­tirá que a Nasa vá à Lua a um custo muito menor do que durante a era Apollo. Mas tam­bém sig­ni­fica que as aspi­ra­ções luna­res da agên­cia depen­dem em grande parte de dois bili­o­ná­rios, Elon Musk e Jeff Bezos. “É muito poder e espe­rança depo­si­ta­dos em ape­nas duas pes­soas para for­ne­cer uma capa­ci­dade que é, na ver­dade, essen­cial para um obje­tivo naci­o­nal”, disse ele. “A Nasa é uma tes­te­mu­nha do seu pró­prio des­tino.”

Nem a Spa­cex nem a Blue Ori­gin con­clu­í­ram o desen­vol­vi­mento de seus módu­los de pouso. Tam­pouco os fogue­tes nos pla­nos para levar esses módu­los à Lua estão pron­tos: o Starship, da Spa­cex, sofreu falhas durante voos de teste; o New Glenn, da Blue Ori­gin, explo­diu e dani­fi­cou a única pla­ta­forma de lan­ça­mento da empresa em maio deste ano.

Esses epi­só­dios podem atra­sar a meta da Nasa de pou­sar na Lua em 2028. Fato­res exter­nos, como mau tempo ou para­li­sa­ções do governo, tam­bém podem afe­tar esse cro­no­grama.

“É irre­a­lista”, afir­mou Phil Mca­lis­ter, ex-dire­tor da divi­são de espaço comer­cial da Nasa, por email. “Ao mesmo tempo, não vou dizer que é impos­sí­vel.”

Clay­ton Swope, vice-dire­tor do Pro­jeto de Segu­rança Aero­es­pa­cial do Cen­tro de Estu­dos Estra­té­gi­cos e Inter­na­ci­o­nais em Washing­ton, ecoou esse sen­ti­mento. “Está pare­cendo cada vez mais pro­vá­vel que a res­posta seja não”, disse ele, refe­rindo-se à pos­si­bi­li­dade de um pouso lunar em 2028. “Mas ainda há uma chance de uma jogada deses­pe­rada dar certo.”

Pou­sar no saté­lite sem­pre foi difí­cil, mesmo para mis­sões não tri­pu­la­das. Em 2023, a Rús­sia ten­tou seu pri­meiro pouso desde a década de 1970, mas a espa­ço­nave se cho­cou con­tra a super­fí­cie lunar. No ano segu­inte, uma espa­ço­nave japo­nesa com dois rovers ficou de cabeça para baixo no solo lunar. Em 2025, a Intui­tive Machi­nes, uma empresa pri­vada sedi­ada em Hous­ton, alu­nis­sou um veí­culo, que tom­bou de lado.

A China tem sido bem-suce­dida em pou­sos luna­res. O país colo­cou rovers na super­fí­cie lunar em 2013 e 2019 e reco­lheu amos­tras de poeira lunar do lado pró­ximo em 2020 e do lado oculto em 2024. A nação asi­á­tica pla­neja levar huma­nos à Lua até 2030.

De acordo com Swope, supe­rar a China na cor­rida à Lua é uma das razões para a Nasa bus­car um pouso lunar em 2028. Outros moti­vos são cres­ci­mento eco­nô­mico e desen­vol­vi­mento comer­cial.

“No entanto, o espaço con­ti­nua sendo mais do que ape­nas isso”, disse ele, acres­cen­tando que uma pre­sença lunar sus­ten­tada é um passo para cons­truir um futuro melhor para as pró­xi­mas gera­ções. “Vamos à Lua, e depois além, como parte da jor­nada para con­cre­ti­zar essa visão.” (Com informações da Folha de S.Paulo)

 

 

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