Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 14 de janeiro de 2026
Alvo de buscas pela Polícia Federal (PF) da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nessa quarta-feira (14), o empresário Nelson Tanure é um investidor de inúmeras empresas brasileiras, como a petroleira Prio, a rede de supermercados Dia e a incorporadora Gafisa. A apuração policial investiga suspeitas de gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
A presença de Tanure na nova etapa da operação ocorre semanas após o MPF (Ministério Público Federal) em São Paulo denunciá-lo por suposto uso de informação privilegiada na negociação de ações da Gafisa, da qual é acionista de referência.
Em nota, a defesa de Tanure afirma que o empresário não tem “qualquer relação de natureza societária com o Banco Master, do qual foi cliente nos últimos anos, nas mesmas condições em que é igualmente atendido por outras instituições financeiras conhecidas do mercado”.
Segundo o advogado do empresário, a única medida imposta nesta quarta-feira foi a apreensão de um celular. A defesa afirma ainda que “o empresário tem certeza de que no decorrer das apurações promovidas pelo STF restará definitivamente demonstrada a inexistência de qualquer pretensa prática ilícita oriunda dessa relação”.
Trajetória
Nascido na Bahia, Nelson Tanure é um experiente investidor do mercado de valores mobiliários brasileiro, com décadas de atuação profissional. Com mais de 70 anos de idade, ele é conhecido no mundo dos negócios por sua estratégia de adquirir participações em empresas que atravessam momentos de dificuldade financeira ou disputas societárias complexas. Ele também foi dono do Jornal do Brasil e da Gazeta Mercantil.
Recentemente, sua defesa disse que ele jamais havia sido acusado de práticas delitivas nas companhias das quais é ou foi acionista. No entanto, em 14 de janeiro de 2026, ele se tornou um dos alvos de 42 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na segunda fase da Operação Compliance Zero.
Segundo comunicado oficial da PF, também estão sendo cumpridas medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões na operação.
A investigação mira uma organização criminosa suspeita de gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. Um dos focos desta etapa da investigação é a atuação de fundos de investimentos que teriam sido usados para inflar o patrimônio do Banco Master.
O portfólio de Tanure reúne participações em diferentes setores da economia:
* Prio (ex-Petrorio): petroleira independente brasileira com atuação no setor de óleo e gás.
* Gafisa: Tradicional incorporadora e construtora do mercado imobiliário, onde Tanure atuou como acionista relevante e membro do conselho de administração.
* Rede Dia: grupo varejista do setor de supermercados.
Segundo investigações, Tanure também utiliza fundos de investimento e estruturas offshore em paraísos fiscais para administrar suas participações.
Denúncia
A trajetória recente de Tanure é marcada por uma denúncia do MPF (Ministério Público Federal) por uso de informação privilegiada (insider trading) em operações envolvendo a Gafisa.
De acordo com as investigações, entre 2019 e 2020, Tanure e outros investidores teriam inflado o valor de mercado da incorporadora Upcon para que, no momento da compra pela Gafisa, recebessem um montante maior de ações com poder de voto.
O valor de mercado da Upcon era importante dentro da operação porque determinaria qual seria o montante de ações a serem repassadas da Gafisa aos controladores da Upcon. Neste caso, a Gafisa não utilizou recursos de caixa e fez a compra com o repasse de ações.
Segundo as investigações, Tanure e os outros investigados, sabendo que o laudo de avaliação da Upcon seria feito dali a poucos dias, aportaram dinheiro ao capital social da incorporadora para inflar o valor de mercado e aumentar o tamanho das ações a serem pagas pela Gafisa.
O MPF diz que o fundo Singular Plus teria sido usado para ocultar a real participação do empresário e internalizar garantias, em prejuízo de acionistas minoritários.
O caso tramita na 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo, mas sua defesa pediu que fosse remetido ao STF por suposta conexão com o Banco Master. (Com informações da Folha de S.Paulo)