Quarta-feira, 07 de Janeiro de 2026

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Ao anunciar que os EUA vão permanecer na Venezuela e “essencialmente vão comandar o país” até que uma transição política ocorra após a captura neste sábado do líder Nicolás Maduro, o presidente dos EUA, Donald Trump, deixou claro o grande interesse de Washington no petróleo venezuelano, que corresponde a 17% das reservas mundiais, as maiores do mundo.

— Nossas grandes petrolíferas, as maiores de qualquer lugar no mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar infraestrutura horrivelmente quebrada, a infraestrutura do petróleo, e começar a fazer dinheiro para o país — disse Trump no pronunciamento inicial à imprensa, durante entrevista coletiva em Mar-a-Lago.

O interesse dos EUA em relação ao petróleo já havia ficado claro no último dia 16, quando os EUA iniciaram um bloqueio naval contra petroleiros do país, tomando o controle de ao menos duas embarcações com o argumento de que seria uma forma de cortar a entrada de recursos que financiam organizações ligadas ao narcotráfico.

As autoridades americanas afirmam que a cúpula chavista, incluindo Nicolás Maduro, opera junto a esses grupos e lucram com o esquema. Mas, já naquele momento, o próprio Trump mencionou o interesse nos ativos do país ao anunciar o bloqueio.

— A Venezuela está completamente cercada pela maior Armada já reunida na História da América do Sul. E só vai ficar maior, e o impacto neles vai ser algo nunca antes visto, até que devolvam aos EUA todo o petróleo, terra e outros ativos que roubaram de nós anteriormente — disse o presidente em dezembro.

Nacionalização nos anos 2000

Por décadas, empresas americanas atuaram na extração e comercialização de petróleo venezuelano, até que o ex-presidente Hugo Chávez (1999-2013) realizou um processo de nacionalização do setor no começo dos anos 2000. Isso fez com que a maioria das empresas americanas se retirassem do país. Após a apreensão do primeiro petroleiro, outras autoridades americanas vincularam os dois cenários.

“O suor, a engenhosidade e o trabalho árduo dos americanos criaram a indústria petrolífera na Venezuela”, escreveu o vice-chefe de Gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, em um comentário nas redes sociais. “Essa expropriação tirânica foi o maior roubo de riqueza e propriedade americanas já registrado.”

Durante o encontro com a imprensa, Trump voltou a fazer afirmações que ligam diretamente o ataque ao interesse no petróleo de Caracas — entre as companhias americanas, apenas a Chevron opera atualmente na Venezuela graças a uma autorização especial.

— Eles falam em “nosso petróleo”. [Mas] nós construímos toda aquela indústria lá, e eles só tiraram de nós como se fôssemos nada, e tivemos um presidente que decidiu não fazer nada. Fizemos algo sobre isso. Tarde, mas fizemos — disse o presidente ao responder posteriormente o questionamento de um jornalista.

Assunto estratégico

Trump definiu como principal linha de política externa e de segurança a retomada da hegemonia dos EUA no Hemisfério Ocidental, afirmando textualmente uma volta da Doutrina Monroe na estratégia de segurança nacional, divulgada no fim do ano passado. Entre os objetivos listados no documento, estão a contenção de potências extrarregionais no continente americano, seja por meio de cooperação civil ou militar, bem como por meio de exploração de ativos importantes.

Em participação no podcast The Daily, o jornalista do New York Times Anatoly Kurmanaev, que atualmente cobre a crise entre EUA e Venezuela, apontou como o controle das maiores reservas de petróleo conhecidas no mundo tem uma importância estratégica.

— Em parte, significa que os EUA poderiam controlar a oferta de petróleo, controlar os preços globais [da commodity] e recompensar seus aliados e punir seus adversários por meio da manipulação desse mercado — explicou Kurmanaev, acrescentando os benefícios geopolíticos. — Controlar essas reservas permitiria aos EUA seguir seu plano de se tornar o ator dominante nas Américas, expulsando adversários como China, Rússia e Irã da região, e dominar o ambiente político e econômico do país.

Impacto para Caracas

Mesmo sob embargos americanos e longe de seu ápice, a indústria petrolífera ainda é o coração da economia venezuelana. Por causa do bloqueio imposto em dezembro, a PDVSA anunciou o fechamento de poços de petróleo na Faixa do Orinoco, por falta de espaço de armazenamento e disparada dos estoques dispararam, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg.

O objetivo seria diminuir a produção em ao menos 25%, representando um corte de 15% sobre a produção total da Venezuela, que gira em torno de 1,1 milhão de barris por dia. A decisão representou um choque de realidade para Maduro, que vinha tentando manter as exportações. O fechamento de poços foi considerado um último recurso devido aos desafios operacionais e aos altos custos envolvidos para reativá-los. Com informações do portal O Globo.

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