Quinta-feira, 02 de Dezembro de 2021

Home em foco Novas pílulas antivirais são eficazes, mas não substituem vacina contra a covid; entenda

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Para o infectologista Alexandre Naime Barbosa, chefe do departamento de Infectologia da Unesp e membro do Comitê de Monitoramento Extraordinário da Covid-19 da Associação Médica Brasileira (AMB), a chegada dos novos medicamentos cria uma situação semelhante à que ocorre com a gripe, cuja vacinação acontece anualmente e, caso o indivíduo contraia o vírus e seja de grupo de risco, a droga antiviral para o influenza, oseltamivir, conhecida como Tamiflu, é indicada.

“Os tratamentos são um avanço principalmente nas populações que podem ter maior falha na vacinação, como imunossuprimidos, transplantados, e para aqueles que têm alto risco para covid grave, como idosos, ou pessoas com comorbidades. Ter um airbag duplo para esses grupos é muito alentador. Mas os antivirais não substituem as vacinas, são complementares”, afirma Naime Barbosa.

O infectologista afirma que as medicações devem chegar ao Brasil com um preço elevado, então, mesmo que venham a ser adotadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), devem ser direcionadas apenas a esses públicos. Segundo a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF), o preço do paxlovid será em torno de US$ 700 nos países ricos, valor similar ao do molnupiravir.

“Mesmo que sejam incorporadas, vale muito mais a pena prevenir do que remediar, literalmente. Ou seja, para o SUS é muito mais efetivo investir em prevenção com vacinas do que fazer o tratamento do paciente com covid”, diz.

Soraya Smaili, farmacologista da Escola Paulista de Medicina e ex-reitora da Unifesp, avalia que embora as pílulas demonstrem o rápido avanço da ciência e possam ser uma ferramenta a mais para o controle da doença, é importante ter cautela.

“É ótimo ter esses medicamentos que vão nos ajudar a ter menos internações e menos óbitos. Mas eles ainda são muito novos e a gente precisa observar mais um pouco os efeitos, continuar os estudos.”

Smaili explica que as duas drogas, embora possam evitar a sobrecarga dos hospitais e salvar vidas, não ajudam a acabar com a pandemia:

“Quanto menos o vírus circular, menor a chance de a gente ter variantes. Os medicamentos não impedem a circulação, porque a pessoa trata depois que está infectada. É uma solução individual. Claro que menos pessoas doentes e sequeladas alivia o sistema de saúde, mas a única forma de interromper a circulação do vírus é a vacina associada às medidas não farmacológicas. Só assim chegaremos a um controle da pandemia.”

A especialista considera especialmente promissor o paxlovid, que é um inibidor de protease, impedindo que o vírus infecte à célula. Segundo ela, esse caminho de tratamento é uma tendência e outros inibidores devem surgir em breve.

Genéricos

As pílulas antivirais também têm potencial de grande impacto em países onde a vacinação está muito baixa. Também ontem a Pfizer assinou um acordo de licença voluntária que deve permitir o acesso ao paxlovid para além dos países ricos, de acordo com a Medicines Patent Pool (MPP).

Os fabricantes de medicamentos genéricos “que receberem sublicenças poderão oferecer o novo medicamento em associação com ritonavir (usado contra o vírus HIV) em 95 países, que cobrem quase 53% da população mundial”, informou a iniciativa global Unitaid.

Com o acordo, a Pfizer avança na mesma área que sua concorrente MSD, que anunciou um pacto similar com a MPP para o molnupiravir.

O acordo inclui todos os países de renda baixa, média-baixa e média-alta da África Subsaariana, assim como países de renda média-alta que alcançaram esse status nos últimos cinco anos. A Pfizer não receberá royalties pelas vendas e renunciará a seus royalties pelas vendas em todos os países cobertos pelo contrato, desde que a covid-19 continue sendo considerada uma emergência de saúde pública de interesse internacional por parte da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A Médicos Sem Fronteiras manifestou seu “desânimo” com o acordo, que exclui Argentina, Brasil, China, Malásia e Tailândia, países que contam com recursos significativos de fabricação de genéricos.

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