Quarta-feira, 20 de Maio de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 28 de novembro de 2022
Quase um mês depois de conquistar o terceiro mandato, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva ainda não anunciou um integrante sequer da equipe que estará ao seu lado. Pessoas próximas ao futuro mandatário dizem que os ocupantes das principais pastas “estão apenas na cabeça” do petista, que se vê diante de um xadrez para acomodar as expectativas de aliados mais próximos.
Figuras como a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, e os ex-ministros Fernando Haddad, Aloizio Mercadante, Alexandre Padilha e Jaques Wagner almejam sentar em cadeiras de destaque na Esplanada. A escolha por movimentar uma ou outra peça nesse tabuleiro pode frustrar os planos políticos de correligionários.
Gleisi, por exemplo, uma das principais responsáveis por atrair partidos para a campanha petista, já deu sinais de que não pretende ocupar cargos de articulação política nem voltar ao Planalto, onde chefiou a Casa Civil no governo de Dilma Rousseff. A parlamentar já indicou para pessoas próximas que deseja um ministério de destaque mais voltado à área social. Com isso, ao executar políticas públicas, ela teria maior visibilidade.
A pretensão de Gleisi, porém, colide com a da senadora Simone Tebet (MDB-MS). É creditado a ela a atração de parte do eleitorado de centro, fiel da balança, na reta final da campanha, para a vitória de Lula. A parlamentar, que também disputou a Presidência da República, declarou apoio ao então candidato petista depois de terminar o primeiro turno em terceiro lugar.
Agora, ela gostaria de ser recompensada com o comando do Ministério do Desenvolvimento Social, responsável pelo novo Bolsa Família, principal programa social do futuro governo. Esse plano desagrada integrantes da cúpula petista, que acham que Tebet poderia conquistar maior destaque e capital político para disputar novamente o Planalto, em 2026.
Fazenda
Outro impasse envolve o Ministério da Fazenda. Tanto representantes do setor privado quanto do universo político querem saber o quanto antes quem será o dono da chave dos cofres públicos. Essa definição poderá destravar as demais indicações para o primeiro escalão. Até o momento, assim como em 2018 antes de se tornar presidenciável, Haddad é o mais cotado para assumir o posto de chefe da equipe econômica.
Um dos candidatos que correm por fora para assumir a Fazenda é o deputado federal Alexandre Padilha (SP), que tem maior interlocução com o mercado e o Congresso. O parlamentar é médico infectologista e já chefiou o Ministério da Saúde, razão pela qual foi destacado na equipe de transição para ajudar no grupo de trabalho dessa área. Ele também é cotado para a Casa Civil ou para atuar em outra área da articulação política, papel que já desempenhou sob a gestão de Lula.
Equação
A fatura política que o presidente eleito precisa pagar com aliados também entra na equação dos ministérios. Um deles é Aloizio Mercadante, que recuperou protagonismo no PT ao coordenar o plano de governo. Uma das alternativas discutidas seria acomodar o fiel escudeiro do futuro mandatário na Infraestrutura ou Indústria e Comércio. Essa última pasta, porém, é desejada pelo PSB, legenda que compôs a chapa vitoriosa.
Outro correligionário que aguarda uma gratificação de Lula é o governador da Bahia, Rui Costa, que abriu mão de concorrer ao Senado para destravar o palanque do PT no estado e se empenhou para ajudar o presidente eleito a vencer Jair Bolsonaro (PL) em 415 dos 417 municípios baianos.
O destino de Rui Costa, porém, gera outro impasse: encontrar um local para acomodar Jaques Wagner, amigo de Lula há 40 anos. Assim como outros integrantes do partido, o senador baiano não pretende voltar para a Defesa, pasta que ele ocupou no governo Dilma.
Indefinição
Nos bastidores da composição ministerial, o senador e ex-ministro da Saúde Humberto Costa (PT-PE) trabalha para voltar à linha de frente. É um dos coordenadores do setor na transição, ao lado dos também ex-ministros Arthur Chioro, José Gomes Temporão e Alexandre Padilha. Costa lidera a bolsa de apostas, seguido por Chioro. O senador também espera a recompensa por ter deixado de concorrer ao governo do estado em favor de candidatura de Danilo Cabral (PSB), um recuo importante para manter a aliança entre as duas siglas no cenário nacional.