Sábado, 27 de Junho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 27 de junho de 2026
Em carta enviada para o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, agradece Flávio por colocar uma “equipe de transição” à disposição dos EUA, caso seja eleito nas eleições de outubro.
A carta, datada de 23 de junho de 2026, foi em resposta a uma correspondência anterior do parlamentar e à recente visita do senador a Washington.
“Registramos seu otimismo em relação às eleições de outubro e sua generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição, caso seja eleito. Os Estados Unidos estão prontos para trabalhar em cooperação com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro em prol de uma estrutura ampla, justa e mutuamente benéfica de comércio e investimentos”, disse.
Em um trecho da carta, Rubio afirma que o representante comercial dos Estados Unidos, embaixador Jamieson Greer, “deixou claro” que os dois países continuam tendo “diferenças substanciais” sobre a conclusão da investigação comercial contra o Brasil.
A investigação a que Rubio se refere acusa o governo brasileiro de adotar práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os norte-americanos.
A apuração foi aberta em julho do ano passado, a pedido do presidente norte-americano Donald Trump, pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). A proposta do governo Trump é de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
Na carta, o secretário detalha as “diferenças substanciais” a serem resolvidas entre Brasil e Estados Unidos. Ele cita especificamente:
• tarifas preferenciais injustas;
• barreiras ao acesso ao mercado de etanol;
• desmatamento ilegal;
• proteção de propriedade intelectual.
Rubio ainda lembra o senador da audiência pública sobre o tema que está agendada para o dia 6 de julho de 2026.
A audiência integra o processo previsto na legislação comercial americana e permitirá que empresas, associações, governos e outros interessados apresentem argumentos antes da decisão final da administração do presidente Donald Trump.
À disposição
Na carta enviada ao secretário norte-americano no início do mês, Flávio afirma que, caso seja eleito, pretende colocar uma equipe à disposição dos EUA para “concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéficos para ambas as nossas nações”.
“Como já afirmei, estou confiante de que serei eleito Presidente do Brasil neste mês de outubro. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar minha equipe de transição imediatamente à sua disposição, para que possamos concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéficos para ambas as nossas nações — construído sobre os princípios dos mercados livres, do respeito mútuo e da aliança estratégica que nossos povos merecem”, disse o senador em ofício enviado à Rubio.
PCC e CV
No documento enviado por Rubio, o secretário utiliza o contato para reafirmar a postura dos EUA em relação à proposta de aplicação de novas tarifas contra o Brasil e à classificação de facções criminosas como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas.
No parágrafo em que menciona a classificação das duas facções brasileiras como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e “Organizações Terroristas Estrangeiras”, o secretário aproveita para agradecer o apoio do senador à decisão.
“Os Estados Unidos reconhecem que a violência e as sofisticadas redes criminosas dessas facções ameaçam a segurança de cidadãos honestos em nosso hemisfério compartilhado. Ao visar suas redes financeiras, de drogas e de armas, estamos tomando medidas decisivas para proteger os povos brasileiro e americano do crime organizado transnacional”, prossegue Rubio.
Audiência
Na terça-feira (23), Flávio anunciou que se inscreveu para “defender o Brasil” e participar da audiência pública sobre a proposta de tarifa, marcada para 6 de julho. Como mostrou o Estadão, o governo Lula não enviará representante por entender que o encontro será feito para ouvir entidades que seriam afetadas pelas novas tarifas, como empresas.
A atuação do governo brasileiro está sendo feita no grupo de trabalho criado após a reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Trump na Casa Branca, em maio. (Com informações do g1 e O Estado de S. Paulo)