Sexta-feira, 21 de Junho de 2024

Home Edson Bündchen Novos ventos sacodem o crédito agrícola

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Os números do agronegócio brasileiro são superlativos, e as mudanças em curso projetam ainda maior protagonismo ao setor para os próximos anos.  Quer por sua vocação natural, quer por expressivos avanços em ganhos de produtividade, crescentemente ligados à tecnologia de ponta, o agronegócio desperta maior vigor também em outras cadeias produtivas, impulsionando a economia nacional como um todo. Não é exagero afirmar que a produção agropecuária brasileira se converteu na locomotiva da nossa economia. Mesmo com os números exuberantes dos últimos anos, porém, ainda restam desafios importantes, sendo talvez o maior deles a questão do financiamento rural, em valores compatíveis com a demanda, tempestividade adequada e juros razoáveis. Essa preocupação com os custos dos empréstimos, a propósito, foi ratificada por recente pesquisa da McKinsey, apontando que 92% dos produtores rurais consideram as taxas de juros o principal desafio para obter financiamento.

O Governo, por questões fiscais, terá cada vez mais dificuldades em subsidiar o agronegócio, proporcionando ao setor privado, através de inovadores mecanismos de financiamento, ocupar um espaço crescente. Uma das novidades que promete reconfigurar a área de crédito agrícola foi a regulamentação da CPR, através das Leis 13.986, e 14.421, verdadeiros marcos para o setor, já que emancipam e conferem mais poder a esse instrumento de crédito que já existia, mas permanecia em grande parte inerte, ou engavetado, conforme bem lembrou o cofundador e CEO da AGROCPR, Bernardo Vianna Waihrich, em artigo recente que tratava do assunto sob o sugestivo título: “A morte da CPR de gaveta”. Estima-se, que já em 2026, mais de R$ 400 bilhões em CPRs serão emitidas por produtores rurais, cooperativas e cerealistas, possibilitando ampla gama de alternativas de crédito. Vislumbra-se, em horizonte muito próximo, produtores rurais emitindo suas próprias CPRs diretamente nas plataformas baixadas via celular, de modo mais simples, ágil e com menores custos, tudo isso proporcionado pela desintermediação que os novos modelos oferecem. Trata-se de uma disrupção na forma tradicional de se fazer crédito agrícola, com um empoderamento nunca antes visto do produtor rural.

Esse maior poder transferido ao produtor no momento do crédito, seja ele para custeio, comercialização ou investimento, será possível por vários fatores, tendo a tecnologia das plataformas como sua base principal. Nessa nova lógica da oferta de crédito rural, a convergência de uma maior disputa pelos clientes, competição pela melhor experiência digital e disponibilização de produtos mais adequados, farão com que a jornada tradicional em busca de crédito, morosa, complexa e cara, seja substituída por uma trilha mais amigável, leve e acessível. Também converge para este novo momento do crédito agrícola o amadurecimento do mercado de capitais, com um leque variado de opções de investimentos lastreados em títulos do agro. Nesse sentido, abre-se também uma possibilidade do poupador, mesmo o pequeno, poder financiar o agronegócio. Isso agora é possível graças às tecnologias digitais que permitem que as “agtechs” tratem individualmente os riscos de crédito dos produtores, estabelecendo uma conexão quase sem ruídos com a ponta da monetização dos títulos: gestoras, financeiras e bancos.

Todo esse movimento em favor de um maior protagonismo do produtor rural tem um objetivo que vai além do crédito em si. Trata-se de maior democratização do acesso ao crédito com redução dos custos de transação que, no final do dia, significa dinheiro mais barato nas mãos de quem precisa plantar.  O que fica cada vez mais claro é que tomar crédito agrícola necessariamente não deve ser um calvário, mas uma jornada que combine experiência, conhecimento e tecnologia, numa simbiose que impacte positivamente todo o ecossistema rural. A superação do antigo modelo de crédito agrícola, uma das últimas fronteiras de atraso a ser enfrentada, vai impulsionar, de modo ainda mais vigoroso, o setor que tem colocado o Brasil na vanguarda da produção de alimentos no mundo.

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