Quarta-feira, 01 de Julho de 2026

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O número de mortos pelo terremoto na Venezuela subiu para 2.295 nesta quarta-feira (1º), segundo o governo do país. Mais de 11 mil pessoas foram contabilizadas como feridas.

O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, disse em seu mais recente pronunciamento que há 12.841 pessoas afetadas pelo duplo tremor de 24 de junho. O balanço anterior, de terça-feira (30), registrava 1.943 mortes e 10.571 feridos.

Especialistas afirmam que esse número representa uma subnotificação significativa, visto que mais corpos são retirados dos escombros diariamente e os necrotérios têm dificuldades para lidar com a grande quantidade de vítimas.

Organizações humanitárias alertaram na terça-feira (30) que o frágil sistema de saúde da Venezuela está sendo levado ao limite quase uma semana após dois fortes terremotos, com hospitais danificados e com falta de pessoal sobrecarregados por feridos e doenças infecciosas se alastrando na zona de desastre.

Enquanto isso, o número de resgates oficiais caiu drasticamente nos últimos três dias, segundo o governo, de 5.380 pessoas salvas nos dois primeiros dias após os terremotos para apenas quatro pessoas encontradas vivas na segunda-feira pelas autoridades.

O período crucial para encontrar sobreviventes de terremotos é normalmente de 48 a 72 horas, mas é possível sobreviver por mais tempo, dependendo de fatores como temperatura e acesso a água ou comida.

O único sobrevivente resgatado na terça-feira até o pôr-do-sol era uma criança que ficou presa por seis dias sob um prédio desabado, disse Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional.

Esses números não incluem os muitos resgates realizados em todo o país por grupos de voluntários que, frustrados com a resposta lenta do governo, se mobilizaram para salvar seus entes queridos presos dias antes da chegada de equipes internacionais especializadas.

Entre os sobreviventes, uma crise humanitária se desenrola. Agências das Nações Unidas estimaram, na terça-feira, que o terremoto acumulou 1,2 milhão de toneladas de entulho, entre prédios destruídos e pertences pessoais. Elas expressaram preocupação com os efeitos na saúde de milhares de pessoas desabrigadas que dormem há dias ao relento ou em abrigos superlotados e insalubres.

Um sistema de saúde em crise

O sistema de saúde venezuelano, sobrecarregado por décadas de pouco investimento e anos de crise econômica, está “sob extrema pressão, com instalações operando além da capacidade para atender à crescente demanda por casos de trauma”, afirmou Christian Lindmeier, porta-voz da Organização Mundial da Saúde, em uma coletiva de imprensa em Genebra.

Autoridades venezuelanas afirmam que mais de 15.800 pessoas foram afetadas pelos terremotos — um número que reflete a quantidade oficial de deslocados, disse na terça-feira a porta-voz da agência da ONU para refugiados, Carlotta Wolf.

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